A confusão do psíquico com o espiritual apresenta duas formas inversas: a redução do espiritual ao psíquico, nas explicações psicológicas, e a tomada do psíquico pelo espiritual, no neo-espiritualismo, erro que ilude os que buscam “poderes” ou “fenômenos” e “centram” sua consciência em prolongamentos inferiores da individualidade, julgando-os estados superiores, mas que, ao se apegarem a essas coisas, tornam-se incapazes de ir além e se desviam irremediavelmente, entrando em contato apenas com o “infra-humano” e caminhando para uma “desintegração” total do ser consciente.
-
A confusão do psíquico com o espiritual tem duas formas inversas: na primeira, o espiritual é reduzido ao psíquico (explicações psicológicas); na segunda, o psíquico é tomado pelo espiritual (neo-espiritualismo).
-
Em ambos os casos, o espiritual é desconhecido, mas o segundo caso, o da ilusão de uma falsa espiritualidade, é o mais relevante.
-
Muitos se deixam iludir por essa falsa espiritualidade porque buscam “poderes” ou a produção de “fenômenos”, ou porque se esforçam por “centrar” a consciência em prolongamentos inferiores da individualidade, tomando-os por estados superiores por estarem fora da “vida ordinária”.
-
A raiz do erro é a tendência “experimental” do espírito moderno: querem resultados “sensíveis”, que acreditam ser uma “realização”, mas isso mostra que o que é verdadeiramente espiritual lhes escapa inteiramente.
-
A realidade dos “fenômenos” não é negada, mas sim seu valor e interesse para o desenvolvimento espiritual; o ser que se apega a eles torna-se incapaz de ir além e é irremediavelmente desviado.
-
Pode haver um desenvolvimento “ao revés”, que não traz aquisição válida e afasta cada vez mais da realização espiritual, até que o ser se extravie nos prolongamentos inferiores da individualidade e entre em contato apenas com o “infra-humano”.
-
Essa situação, sem saída, leva à “desintegração” total do ser consciente, o equivalente, para o indivíduo, da dissolução final para o conjunto do “cosmos” manifestado.