Um exemplo notável de fabricação de predições é o das chamadas “profecias da Grande Pirâmide”, que, por meio de medições arbitrárias dos corredores e câmaras, pretendem extrair datas e períodos históricos, mas que, ao reduzi-las exclusivamente a uma perspectiva judaico-cristã, cometem o absurdo lógico de transformar o monumento egípcio em algo “judaico-cristão”, revelando pela presença de elementos grotescos, como a datação de acontecimentos modernos (primeiros caminhos de ferro), a verdadeira origem dessas interpretações.
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As “profecias da Grande Pirâmide” são um exemplo surpreendente de fabricação, difundidas na Inglaterra e no mundo para fins que vão além da política, ligadas à ideia de que os ingleses seriam descendentes das “tribos perdidas de Israel”.
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Medindo-se as partes da Grande Pirâmide de forma arbitrária, fazem-se corresponder os números a períodos e datas da história, pretendendo-se descobrir “profecias”.
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O absurdo manifesto é que, em vez de se referirem à história geral do mundo ou à do Egito, essas interpretações reduzem tudo ao ponto de vista do Judaísmo e do Cristianismo, como se a Pirâmide fosse um monumento “judaico-cristão”.
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A “cronologia” bíblica usada é contestável e conforme ao “literalismo” protestante mais estreito, adaptada à mentalidade do meio onde seria difundida.
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A ausência de datas marcantes até o advento dos primeiros caminhos de ferro revela uma perspectiva moderna na apreciação dos eventos, traindo a origem da interpretação pelo elemento grotesco que sempre acompanha as obras do “diabo”.
Além de aumentar o desordem, as predições são usadas como meio de sugestão direta para contribuir efetivamente para a produção de certos eventos futuros, criando um “estado de espírito” favorável à realização de algo que se insere nos desígnios subversivos, uma perspectiva pouco tranquilizadora para um futuro próximo, independentemente de atitudes sentimentais como otimismo ou pessimismo.
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Anúncios baseados nas “profecias da Grande Pirâmide” ou outras predições, marcando datas para “a entrada da humanidade numa era nova” ou “um renovo espiritual”, já passaram sem que nada de particularmente marcante tenha ocorrido.
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Há uma utilização das predições como meio de sugestão direta para determinar efetivamente a produção de certos eventos futuros, como no caso de se anunciar insistentemente uma revolução para ajudar a fazê-la eclodir no momento desejado.
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Trata-se de criar um “estado de espírito” favorável à realização de “algo” que se insere nos desígnios subversivos, perspectiva pouco tranquilizadora para um futuro próximo, independentemente de atitudes sentimentais como “otimismo” ou “pessimismo”, que são alheias ao ponto de vista tradicional.