A estrutura numeral da missa confirma e aprofunda sua estrutura geométrica, com cada número principal desempenhando função precisa no desdobramento da Liturgia.
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O três (Kyrie, Agnus Dei, mea culpa): número trinitário e criador; elevado ao quadrado no triple ternário do Kyrie dá o nove – número da criação múltipla anunciando a plenitude do dez; os nove coros dos Anjos expressam esse simbolismo.
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O cinco (cinco sinais da Cruz no Quam oblationem e no Per Ipsum): número da vida no mundo e do homem; anuncia o passar dos Dons da matéria inerte à vida e a presença dAquele que disse “Eu sou o Caminho, a Luz e a Vida.”
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O sete (luminária, sete Dominus vobiscum): número da perfeição e da plenitude segundo Santo Agostinho; exprime as relações do divino (3) com a criação (4).
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O oito (oito beijamentos do altar): número da Ressurreição segundo Santo Agostinho, pois designa a união do homem (5) ao Criador (3); daí a forma octogonal dos batistérios nos primeiros séculos.
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O dez (dez menções da sociedade dos santos no Canon romano): símbolo da totalidade e do universo; o Um é a unidade sintética – a Causa primeira; o dez é o efeito total, reflexo da Causa.
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O doze (doze apóstolos no Communicantes): número do funcionamento cósmico pelos 12 signos do Zodíaco e 12 meses; os apóstolos ao redor de Jesus como os signos ao redor do “Sol de Justiça”; acrescidos de 12 mártires romanos formam o 24, número dos Anciãos do Apocalipse (Ap 4,4).
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O quinze (quinze nomes no Nobis quoque peccatoribus): plenitude da ciência segundo São Jerônimo; união dos dois Testamentos segundo Santo Agostinho (7+8); número do Nome divino Yah (Y=10, H=5), abreviatura do Tetragrama.
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O dezessete (dezessete preces ao pé do altar; dezessete versículos do Gloria): oitavo número primo; sua triangulação produz 153, número dos peixes da segunda pesca milagrosa (Jo 21,11); Santo Agostinho decifra: 17 = 10 (Lei) + 7 (Espírito Santo), o Espírito vivifica a letra da Lei; 153 = (50×3)+3, número simbólico dos santos que vivem do espírito de Deus em acordo com a Lei; por redução, 17=1+7=8, número cristológico da Ressurreição; no Gloria, 8 versículos para o Pai, 8 para o Filho, 1 para o Espírito Santo: 8+8+1=17, e 17=8, donde três vezes 8 = 888, número do Nome de Jesus em grego.
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O trinta e três (trinta e três sinais da Cruz durante a missa): número dos anos do Cristo e estrutura da Divina Comédia de Dante.
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O Pai-Nosso é construído segundo estrutura septenária: sete pedidos, três concernindo a Deus e quatro concernindo ao homem – harmonia idêntica à da Criação segundo o Gênesis (3+4=7) e correspondente às três virtudes teologais e às quatro virtudes cardinais; a figura geométrica correspondente é o triângulo (3) sobre o quadrado (4), a “pedra cúbica a ponta” dos construtores, onde o quadrado das virtudes cardinais serve de base ao triângulo que aponta para o céu das virtudes teologais.