O mito como fenômeno religioso fundamental possui uma dimensão específica do sagrado e do transcendente que a método freudiana é filosoficamente incapaz de compreender.
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A conclusão metodológica deve ser tomada de Mircea Eliade: existe possibilidade de homologar figuras míticas e dinâmica do inconsciente, mas não se deve confundir homologação com redução.
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A abordagem mais segura é estudar o fenômeno em seu próprio plano de referência e integrar depois os resultados numa perspectiva mais ampla.
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A psicanálise, incluindo a de Jung, pode ter papel auxiliar e esclarecer certos aspectos do mito, como a conexão entre simbolismo sexual e ritos de fecundidade, mas nunca papel exclusivo.
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Uma leitura sexualizada do mito das Danaides, integrada ao cenário ritual, revela três níveis hierárquicos: o social da fecundidade do casamento, o cósmico da fertilidade da natureza e, provavelmente, o místico da hierogamia, o casamento do homem com as potências celestes, fonte de toda fecundidade, nível atestado em rituais análogos como o de Eleusis.
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Um fragmento da trilogia das Danaides de Ésquilo, que canta o desejo do Céu de penetrar a Terra e a chuva como beijo fecundante, evoca precisamente esses cultos de fecundidade de ressonâncias místicas dos quais as Danaides emergem como divindades ou sacerdotisas.