SANTOS MISTÉRIOS

HANI, Jean. La divine liturgie: aperçues sur la messe. Paris: Éditions de la Maisnie, 1981.

Neste esquema geral reconhece-se aquele da liturgia cristã, liturgia dos mistérios que é a atividade central de nossa religião. Na celebração eucarística estão intimamente unidos dois elementos essenciais do cristianismo: a oração de louvor e de ação de graças e o sacrifício divino.

O modo deste rito de salvação é destinado como memorial: a missa é o “Memorial do Senhor”. Quer dizer que na Divina Liturgia, trata-se de “fazer memória” do sacrifício do Cristo e de toda economia da salvação (anamnesis).

Vê-se o erro da interpretação do protestantismo de Calvino, onde a liturgia da missa destina-se a reavivar a lembrança das benesses de Jesus, e a despertar nossa memória e reaquecer a piedade.

A concepção protestante é totalmente estranha à fé das Igrejas apostólicas do Oriente como do Ocidente para quem, quaisquer que sejam certas divergências teológicas de detalhe, a missa é um sacrifício real, operado pela presença real do Cristo nas oblações.

Deve-se rever o termo “memória” e “comemorar”, que nas línguas modernas têm um sentido diferente do das sociedades tradicionais. A comemoração é o que se pode denominar “memória ritual”; é a celebração de uma obra divina sobre a qual se funda uma comunidade religiosa, celebração que re-presenta, no sentido etimológico da palavra, quer dizer: tornar de novo presente, esta obra obra divina cuja meta é a união do deu e a imortalidade.

Na Grécia antiga, Mnemosyne, a Memória personificada, era a mãe das Musas. Mnemosyne permitia ao poeta estar presente ao passado divino, juntar-se ao tempo dos eventos antigos e sobretudo o mistério das origens. A rememoração para os gregos arcaicos buscava não situar os eventos em um quadro temporal, mas a alcançar o fundo do ser, o original, a realidade primordial, o que equivale a sair do tempo.