A segunda técnica do Padre del Castillo compara o rosário a uma escada de quinze degraus que conduz da terra ao céu e à união divina, correspondendo às quinze virtudes que resplandeceram em Maria superiormente a todos os ordens humanos e angélicos.
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A imagem da escada é conhecida em todas as tradições como símbolo da ascensão espiritual; na tradição cristã remonta aos Padres primitivos, ao monge sinaíta João Clímaco e ao protótipo bíblico da Escada de Jacó (Gn 28, 11).
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Nos doze primeiros degraus o Padre coloca as virtudes Fe, Esperança, Caridade, Força, Sabedoria, Justiça, Contemplação, Obediência, Pobreza, Pureza, Humildade e Fecundidade, homologáveis à maioria dos Nomes divinos.
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A virtude espiritual tem por essência uma Qualidade divina e constitui aquisição de ser que estabelece o homem em estado espiritual superior, base para o estado seguinte.
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Os três últimos degraus são ocupados pelos três ordens dos espíritos angélicos em seus nove coros: anjos, arcanjos e Virtudes; Potestades, Dominações e Principados; Tronos, Querubins e Serafins, segundo a tradição dionisiana que os descreve como estados do Ser.
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Dionísio define a hierarquia como ordenação sagrada que confere às criaturas a semelhança divina e as une a Deus por intermediação dos seres hierarquicamente superiores.
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A analogia entre a estrutura da inteligência celeste e a da inteligência humana, presente em Tauler e em Boaventura, funda a possibilidade dessa elevação progressiva.
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A visada do Padre vai além da ordem dos Serafins, proclamando Maria superior a todos os seres incluídas as hierarquias mais elevadas, o que é rigorosamente ortodoxo: a liturgia a celebra como mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins.
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Maria é ela mesma a Escada celeste e a Escada de Jacó; posicionada no Axis mundi e em seu cume, ela recapitula todas as hierarquias angélicas, razão de seus títulos Rainha dos anjos e Rainha dos céus, e constitui a Porta do céu, porta do sol pela qual se sai do cosmos para atingir a região da Divindade.
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Sendo Maria filha da terra tornado filha do Pai, ela é o penhor da deificação do homem e o protótipo, ao lado do Filho, da humanidade glorificada, o que confere às duas técnicas contemplativas do Padre perspectivas surpreendentes sobre o papel do rosário na vida espiritual.