O projeto do Hiéron de Paray no século XIX constituiu uma tentativa grandiosa de reforma intelectual fundada na Tradição primordial, mas fracassou pela incompreensão que veio em grande parte do próprio clero.
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A Société du Règne e a Société des Fastes eucharistiques propuseram-se instaurar o reinado social de Cristo e do Sagrado Coração pela Eucaristia lutando contra as utopias revolucionárias.
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O projeto previa retomar o sistema do trivium e do quadrivium medieval adaptado ao mundo moderno, restaurando as ciências tradicionais, renovando o ensino artístico e a ciência política.
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Em 1927 os padres jesuítas transformaram a Sociedade numa Liga universal do Cristo-Rei que pouco tinha a ver com o desígnio dos fundadores; a devoção ao Sagrado Coração, em sua forma autêntica princípio e motor da reforma dos espíritos, afundou num pietismo indigno da revelação de Paray.
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O Papa Pio XI, sob influência do Hiéron, instituiu a Festa do Cristo-Rei e publicou a encíclica Haurietis aquas em 1925, expondo a doutrina tradicional dos princípios da organização social e condenando o laicismo moderno; sessenta anos depois, boa parte dos teólogos e bispos mostrou-se hostil à doutrina proclamada pelo Magistério.
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A restauração da ordem temporal exige, conforme demonstrou René Guénon, a constituição prévia de uma elite intelectual suficientemente numerosa e atuante capaz de reverter a ideologia dominante e fazer retornar os espíritos ao modo de pensar das sociedades tradicionais.
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O fracasso é provisório: o Coração do Cristo, Rei do mundo, após o fim do ciclo atual, operará a reintegração, sendo ele mesmo o Coração divino, centro do universo, como proclamavam as imagens dos séculos XVII e XVIII.