O motivo dessa dificuldade está na mentalidade moderna que vê o mundo como aglomerado de fenômenos, enquanto o homem tradicional, em geral até René
Descartes no Ocidente, percebia um organismo harmonioso e hierarquizado cuja formulação cristã se encontra em
Dionísio, o Areopagita, e que por seu intermédio remonta a
Platão, ao passo que a concepção quantitativa reduz o mundo a força e matéria e leva a ciência moderna a uma sequência de descobertas que adia indefinidamente uma explicação verdadeira, enquanto a concepção tradicional e qualitativa privilegia a arquitetura espiritual do mundo deduzida de uma metafísica platônica adotada pelos primeiros Padres.
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René
Descartes como marco de transição no Ocidente
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Dionísio, o Areopagita, como formulação cristã de ordem hierárquica
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Platão como origem da metafísica que sustenta essa cosmologia
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Concepção quantitativa: força, matéria e fenômenos
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Concepção qualitativa: estrutura interna e arquitetura espiritual
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Primeiros Padres como adotantes da metafísica de
Platão
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Nessa cosmologia tradicional, a unidade quase espiritual do Universo permite reconhecer analogias e correspondências entre as partes e entre elas e seu modelo ontológico em Deus, fundamento do simbolismo cosmológico que se desenvolve em dois níveis hierárquicos, isto é, o simbolismo da parte com o todo no Universo e, em plano superior, o simbolismo do Universo e de suas partes com o mundo divino.
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Analogias e correspondências entre partes do Universo
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Modelo ontológico em Deus como fundamento das correspondências
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Dois níveis: parte e todo; Universo e mundo divino
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Simbolismo cosmológico como chave de leitura do real
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São Boaventura formula que todas as coisas revelam a Sabedoria divina em cada propriedade e que todas as criaturas sensíveis conduzem a Deus como sombras, vestígios e imagens do Primeiro Princípio, da Fonte e da Luz, do Arquétipo soberano, funcionando como sinais dados pelo próprio Senhor.
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São Boaventura como testemunho de simbolismo do mundo para Deus
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Criaturas como vestígios e imagens do Princípio
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Sabedoria divina como inteligível nas propriedades dos seres
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Mundo sensível como via de condução a Deus
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A ilustração do simbolismo horizontal é dada por monsenhor Landriot ao definir o simbolismo como ciência que esclarece o conhecimento de Deus e do mundo criado, as relações do Criador com sua obra e as harmonias que unem as partes do Universo, apresentando-o como chave da alta teologia, da mística, da filosofia, da poesia, da estética e como foco de doutrina luminosa que liga mundo natural e mundo sobrenatural.
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Monsenhor Landriot e a ciência do simbolismo
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Relações do Criador com a criação
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Harmonias entre partes do vasto Universo
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Mundo natural e mundo sobrenatural como polos correlatos
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Alta teologia, mística, filosofia, poesia e estética como campos iluminados
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A recomposição desse grupo de representações mentais ausente no homem contemporâneo restabelece a capacidade de perceber a profundidade dos símbolos teológicos oferecidos pela Igreja, pois na maioria dos casos esses símbolos só se tornam compreensíveis por referência a símbolos cosmológicos subjacentes que lhes servem de suporte, dado que o ser humano, imerso no mundo sensível, deve unir-se ao divino por meio da figura desse mundo com o auxílio da arte, sendo que para o homem tradicional o símbolo cosmológico era evidente nas criações artísticas e para o homem moderno ele desapareceu e precisa ser reavivado.
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Igreja como ofertante de símbolos teológicos à contemplação
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Símbolos cosmológicos como suporte dos símbolos teológicos
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Arte como mediação entre mundo sensível e divino
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Homem tradicional e evidência implícita do simbolismo cosmológico
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Homem moderno e necessidade de fazer reviver esse simbolismo
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A intenção da obra é definida como busca do simbolismo cosmológico subjacente a partir dos dados do simbolismo teológico fundado na Escritura, de modo que o simbolismo teológico recupere amplitude e fulgor, em consonância com a afirmação de
São Tomás de Aquino de que Deus legou dois escritos perfeitos para a educação humana, a Criação e a Sagrada Escritura.
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Simbolismo teológico fundado na Escritura como ponto de partida
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Simbolismo cosmológico subjacente como chave de ampliação
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São Tomás de Aquino e os dois livros: Criação e Sagrada Escritura
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Educação humana como finalidade dos dois escritos
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Antes do ponto fulcral, estabelece-se que o simbolismo do templo e da liturgia é, no fundo, cosmológico, mas que o cristianismo em sua origem não possuía simbolismo cosmológico de modo direto, pois a visão cristã, mais exatamente crística, é espiritual e mística e não adota linguagem cosmológica, embora desde o início tenha encontrado tradições religiosas cosmológicas nas áreas de expansão, especialmente as antigas religiões da Bacia Mediterrânica e do Próximo Oriente, religiões cósmicas e em grande parte solares, forma habitual das grandes religiões naturais.
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Simbolismo do templo e da liturgia como cosmológico
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Visão crística como espiritual e mística, sem linguagem cosmológica direta
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Bacia Mediterrânica e Próximo Oriente como áreas de encontro religioso
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Religiões cósmicas e solares como religiões naturais
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O cristianismo não tinha motivo para rejeitar elementos dessas tradições que pudessem auxiliar a vida religiosa, pois sua marca é a universalidade católica, e o catolicismo afirma uma Revelação primitiva que, apesar de degenerescências sucessivas, permaneceu de modo esporádico em todas as tradições, permitindo falar com prudência em um pré-cristianismo ou, nas palavras de José de Maistre, em um cristianismo eterno ligado à revelação primitiva ocorrida no Jardim do Éden, além de o cristianismo ter assumido desde o início a herança das confrarias artesanais, sobretudo de construtores, cujo trabalho implicava simbolismo cosmológico ligado às antigas religiões.
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Catolicismo como universalidade
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Revelação primitiva como núcleo persistente nas tradições
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José de Maistre e a expressão cristianismo eterno
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Jardim do Éden como lugar simbólico da revelação primitiva
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Confrarias artesanais e construtores como portadores de simbolismo cosmológico
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A arte sacra reúne temas desse simbolismo cosmológico com temas propriamente cristãos sem choque, pois ambos se harmonizam pela conformidade com normas sagradas universais, tornando esperada a presença de motivos cosmológicos misturados ao repertório cristão.
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Arte sacra como lugar de síntese temática
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Simbolismo cosmológico e temas cristãos como compatíveis
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Normas sagradas universais como princípio de harmonia