O sacrifício é fundamentalmente o sacrifício do Eu e a emergência do Si, operação que se atualiza na Divina Liturgia em seus dois planos.
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O Eu é a individualidade empírica, o exterior limitado do homem; o Si é a personalidade transcendente, totalmente espiritual, o fundamento da pessoa no sentido forte, o que os místicos chamam de castelo interior e Eckhart chama de Grund.
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O Si é realidade hipercósmica, o deus no homem e a imagem de Deus no homem segundo o Gênesis; difere das noções de Self em Freud e Jung, restritas ao plano psicológico.
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No sacrifício, os elementos limitativos da personalidade e o Eu como concreção do egoísmo são imolados, libertando o Si que estava aprisionado.
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Cristo, Homem-Deus, realizou isso em Seu sacrifício de uma vez por todas: crucificou o velho homem e ressuscitou como homem novo no corpus glorificationis, tornando-Se Aquele que faz nascer o Si em todo homem a Ele incorporado.
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Paulo sintetiza a realização: não sou mais eu que vivo, é o Cristo que vive em mim.