A doutrina das ações e reações concordantes, base de todas as práticas religiosas, afirma que cada ação gera uma reação, e os ritos são as instruções para colocar em movimento ondas que, partindo deste mundo, provocam um refluxo do outro mundo, cuja reação desproporcional é reservada para a alma nos tesouros do além.
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A diferença entre esoterismo e exoterismo reside no grau de abertura da alma: o esoterismo pertence, na Idade de Ferro, àqueles que experimentam um relativo afrouxamento das “cadeias da caverna” e um antegozo da liberdade.
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Para a maioria, as cadeias são tão sólidas que a aspiração não pode se manifestar plenamente em vida, e o cumprimento dos ritos gera reações que se acumulam para o momento da morte, dando ao prisioneiro a impulsão para escapar da caverna pela “via dos Deuses” ou, na falta do impulso necessário, pela “via dos ancestrais”.
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A negligência em usar o privilégio da condição humana, o “talento” da parábola, confere um impulso descendente, pois “quem não está comigo é contra mim”.
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No esoterismo, já em vida existe um impulso ascendente de aspiração a “crescer”, que pressupõe o conhecimento da plena grandeza da alma e sua meditação concentrada sobre os grandes protótipos de magnanimidade, como a Virgem Maria ou o Profeta Maomé.
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A segunda condição esotérica é que esses protótipos despertem na alma um eco subjetivo, a impressão de poder verdadeiramente conformar-se a eles, o que é a sensação do “afrouxamento das cadeias”.
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O crescimento da alma é um processo de contração e expansão alternadas, onde o cumprimento do ritual contrai a alma em comprimento e largura para aumentar sua altura, resultando na extensão das três dimensões e na capacidade de lançar vagas de aspiração mais poderosas.
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O cumprimento regular dos ritos é a base da vida espiritual, pois mantém o perpétuo fluxo e refluxo entre os dois mundos, desobstruindo o canal entre a alma e o Espírito.