O ideal mais elevado no plano humano, definido como a majestade e a beleza da alma, acrescidas da santidade e da humildade, é encarnado nas civilizações teocráticas pelo Fundador da religião e por seus primeiros companheiros, sendo perpetuado e glorificado em toda a cultura, dos túmulos dos santos à liturgia, à arte e à arquitetura.
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A majestade reflete o Rigor Divino e a beleza, a Misericórdia Divina, sendo a santidade fruto do contato com o Espírito e a humildade, a consciência das limitações da alma.
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A Cruz simboliza essas virtudes: a santidade e a humildade no alto e no baixo; a majestade e a beleza nos lados esquerdo e direito, respectivamente, representando também a unidade e a totalidade da alma perfeita.
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A etimologia de “santidade”, “integralidade” e “saúde” revela sua origem comum, assim como as virtudes de sinceridade e simplicidade são inseparáveis da indivisibilidade da alma.
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A causa principal da doença na alma é a perda da relação direta com o Coração, o que a priva do contrapeso divino à tendência extrovertida da criação, levando à desintegração dos elementos psíquicos e à perda da unidade, simplicidade e sinceridade.
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O propósito da religião é fornecer um impulso em direção ao centro, recolocando a alma na esfera de atração do Coração, seja por meio de ritos ou de qualquer coisa com função espiritual.
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A arte sacra, ao ser contemplada, reúne a alma, respondendo a um apelo à unidade, diferentemente da arte profana, que fragmenta.
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A civilização moderna, ao contrário das sacras, não exige a unidade da alma e, ironicamente, a única civilização que deposita esperança no ambiente é a que não oferece um ambiente digno, cercando o homem de elementos que promovem a doença psíquica.
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A educação, o trabalho, o lazer e o vestuário modernos são concebidos para sufocar o senso de majestade e beleza e fragmentar a substância psíquica, eliminando as virtudes de unidade, simplicidade e sinceridade.
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O conhecimento da posição central do Sol e do movimento da Terra ao seu redor, presente em alguns sábios da Antiguidade, foi adquirido pela maioria dos homens a partir de Copérnico, mas essa aquisição de um conhecimento inferior coincidiu com a perda de um conhecimento superior e mais valioso: a certeza de que a alma individual gira em torno do sol interior.
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Os antigos sabiam que a alma gira em torno do sol interior, apesar da ilusão do ego como centro independente, ilusão a que o homem decaído está sujeito.
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Hoje, quando o ego humano atinge o limite máximo de separação do Coração, a ilusão da centralidade própria do ego está no auge, e a maioria duvida ou nega a existência do sol interior.
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A perda do conhecimento superior e a aquisição do inferior são consequências da mudança geral da habilidade humana, antes aplicada ao espiritual e agora ao material.
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A virtude teologal da esperança consiste em considerar a vida humana como uma viagem que leva à satisfação eterna de todos os desejos, desde que certas condições sejam cumpridas, visando sempre a “remontada” da corrente, embora com diferentes métodos segundo as religiões e os indivíduos.
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O objetivo final da aspiração religiosa, mesmo em seu nível mais baixo, é o reatamento do contato com o Espírito, por meio da Graça obtida pela adoração.
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Até recentemente, essa era a orientação universal do homem: todas as “embarcações” remavam, de algum modo, contra a corrente.
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Nos últimos dois séculos, um número crescente de “embarcações” deixou de lutar contra a corrente e passou a segui-la, proclamando como “progresso” essa inversão de direção e convidando os que ainda resistiam a se “libertar das cadeias da superstição”.
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O novo credo, raramente examinado em detalhe, implica que os esforços milenares da humanidade para remar contra a corrente foram inúteis e sem objeto.
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Os revolucionários e até as grandes figuras espirituais, como Buda, Cristo e Maomé, são reivindicados como precursores do progresso, ignorando-se que sua missão era, na verdade, reconduzir os homens à perfeição primordial.
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A perda da esperança no progresso “vertical” do indivíduo para o Eterno levou os homens a depositar suas esperanças em um vago progresso “horizontal” da humanidade para um bem-estar terrestre, de gozo breve e duvidoso.
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A incredulidade no Transcendente não elimina os elementos psíquicos cuja função é aspirar a Ele, e essa substância psíquica “inutilizada”, especialmente nos líderes do mundo moderno, torna-se perigosa e geradora de absurdos.
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A religião semi-religiosa e tíbia dos “mestres pensadores” modernos é impotente para abrir caminho às mais altas aspirações da alma, que, invertidas, caem ao nível das aspirações terrestres, gerando deformações e caos.
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A fé, a esperança e a caridade, asas da alma, quando não cumprem sua função, degeneram em fanatismo pela pseudorreligião do progresso e em um otimismo grotesco que ignora a realidade.
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O entusiasmo apaixonado, fruto da queda da mais alta faculdade da alma, que deseja o Divino, dissipa-se na busca vã por um Absoluto terrestre.