A Era de Ouro, nas primeiras religiões, representa o supremo ideal possível em condições terrestres após a Queda, e a figura de Adão após a Queda, nos comentários judaicos, personifica essa era como um grande visionário e profeta, cuja era foi marcada pela incorruptibilidade e pela imagem divina nos homens.
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Adão é exaltado como o único homem que cometeu um único pecado e como o grande vidente que inaugurou a religião na terra, sendo sepultado por Arcanjos.
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Na época de Adão e Seth, os corpos não apodreciam e os homens nasciam à “imagem de Deus”, ao contrário do período posterior, marcado pela esterilidade das montanhas.
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A visão hindu do ciclo dos quatro yugas inclui oito reerguimentos súbitos por intermédio de Avatares, que também inauguram e encerram o ciclo, totalizando dez descidas divinas, sendo o nono Buda e o décimo, Kalki, ainda por vir para inaugurar uma nova Era de Ouro.
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Buda, o nono Avatara, é denominado Mleccha Avatara (a Descida Estrangeira) por sua missão situar-se fora das fronteiras do Hinduísmo.
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A representação de Kalki, o décimo Avatara, montado num cavalo branco e com a espada na mão, evoca descrições do Apocalipse, indicando sua função de pôr fim à Idade Sombria e iniciar um novo ciclo.
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A expectativa comum a todas as religiões por um evento escatológico futuro não se confunde com a crença moderna no progresso, pois, ao contrário desta, a visão tradicional sustenta que a segunda vinda do Cristo será precedida, não por um mundo aperfeiçoado, mas por sinais de extrema degradação e tribulação coletiva.
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A primeira vinda de Cristo é entendida como um puro efeito da Graça, não como uma conquista do progresso humano.
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Os sinais da iminência da segunda vinda, segundo os ensinamentos tradicionais, incluem guerras, fomes, terremotos, discórdias familiares e o reinado do Anticristo, culminando na “grande tribulação”.
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A descrição desses eventos indica que a humanidade, em seu conjunto, caminha para um declínio gradual, interrompido por reerguimentos, até o advento do verdadeiro Cristo, súbito como um relâmpago.
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A questão sobre se as descobertas modernas teriam alterado a crença dos antigos na excelência de seus antepassados já foi respondida implicitamente, e a indagação sobre o que eles esperariam do futuro também encontra resposta na confirmação de suas sombrias previsões pelo mundo moderno, tema a ser mais explorado nos capítulos seguintes.