Em “Cimbelino”, a situação de abertura assemelha-se a “Hamlet” e “Otelo”, com o Rei Cimbelino representando o aspecto passivo da alma humana degradada, similar a Gertrudes, e sua filha Imogen representando o aspecto ativo, a consciência e a inteligência, similar ao Príncipe Hamlet.
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A corrupção da alma é indicada pelo segundo casamento de Cimbelino com uma “rainha demoníaca”, assim como em Hamlet o estado decaído é indicado pelo casamento de Gertrudes com Cláudio.
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Em “Hamlet”, a Queda é assinalada pelo assassinato do primeiro marido de Gertrudes, separando alma e Espírito; em “Cimbelino”, a Queda é representada pela perda da “imortalidade” de Cimbelino, ou seja, a perda de seus dois filhos, resultado de uma ruptura tola com seu sábio conselheiro Belário.
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Os dois filhos mais velhos do Rei representam as duas naturezas, celeste e terrena, do homem primordial, enquanto o homem decaído tem uma unidade fragmentária, com uma só natureza imperfeita, o que é simbolizado por Cimbelino ficar reduzido a uma única filha, algo inferior para a sucessão.
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No final da peça, o número três assume seu lugar quando Cimbelino, tendo reconquistado todos os filhos, fala de si mesmo como uma mãe que dá à luz três filhos, e Imogen afirma ter conquistado “dois mundos” com o retorno de seus irmãos.
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A presença dos dois irmãos na união final de Imogen com Póstumo equivale à presença de Juno e Ceres nas bodas de Miranda e Ferdinando, em “A tempestade”, e o simbolismo dos dois filhos corresponde ao dos gêmeos celestes Castor e Pólux, sendo dignos de incrustar o céu com estrelas e com poder para “dourar as caras pálidas” na batalha, como a Pedra Filosofal.