A democracia, caracterizada por Platão pelos postulados de liberdade e igualdade, atua historicamente como o estágio precursor da tirania ou demagogia, embora o processo de declínio possa apresentar retificações temporárias.
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Confirmação histórica da tese platônica no século XX.
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Trajetória sinuosa da degeneração com pausas ocasionais.
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Intervenção de autocratas tradicionais para salvar democracias do caos.
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A Revolução Francesa exemplifica a transição rápida da autocracia para a demagogia devido à brutalidade da queda, exigindo a estabilização temporária por Napoleão, uma figura ausente na tragédia posterior da Rússia comunista.
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Liberdade, Igualdade e Fraternidade como slogans democráticos.
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Império napoleônico como tentativa de autocracia tradicional.
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Ausência de freios no colapso russo setenta anos depois.
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A verdadeira liberdade segundo Platão consiste na ascensão difícil para fora da caverna das limitações mundanas, exigindo que os governantes filósofos restrinjam as liberdades inferiores para guiar os súditos aos princípios transcendentes.
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A porta estreita dos Evangelhos como caminho da libertação.
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Restrição necessária imposta por amor à liberdade superior.
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Função diretiva dos sábios na aristocracia.
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A degeneração social define-se pelo afastamento progressivo dos princípios teocêntricos que consideram esta vida como uma ponte para a outra, culminando na inversão onde a terra é vista como uma pátria rica e o homem se torna completo “por baixo”.
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Citação de Frithjof Schuon sobre a Renascença.
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Ilusão de liberdade ao virar as costas para a porta estreita.
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Substituição do Reino de Deus pelas necessidades do mundo.
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A democracia moderna institucionaliza o relativismo através da instrução obrigatória que prioriza a igualdade sobre a liberdade real, impedindo o estabelecimento de hierarquias de conhecimento e promovendo o agnosticismo e o evolucionismo.
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Doutrinação na crença de que toda opinião é válida.
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Recusa em aceitar princípios absolutos dos antepassados.
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Incentivo ao pensamento “original” que na verdade é padronizado.
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A distinção fundamental entre a democracia e a ditadura moderna reside no fato de que a primeira permite o mal (e acidentalmente o bem) enquanto a segunda impõe dogmaticamente o mal, como o ateísmo oficial.
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O colapso da União Soviética não elimina o mal enraizado por gerações de doutrinação ateísta, havendo o risco de que a abertura para o “mundo livre” introduza novas perversões que se somam às antigas.
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A transição atual deve ser vista como a substituição de um caos rígido e comunista por um caos fluido e liberal, permitindo ao menos que as autoridades espirituais recuperem a liberdade de atuação.
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O Estado Islâmico primitivo de Medina permanece o critério ideal de sociedade teocêntrica, cuja estrutura sólida permitiu ao Islã absorver e converter conquistadores pagãos como Houlagou e Tamerlão.
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Sucesso inicial milagroso e reverência aos quatro primeiros califas.
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Inexistência de separação entre poder político e religioso.
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Capacidade da estrutura de resistir à penúria de chefes santos.
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A civilização moderna não merece esse nome quando comparada às civilizações tradicionais, pois atua como um sistema organizado de subversão que encoraja a degradação humana em nome do progresso.
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Antítese das civilizações Hindu, Budista, Cristã e Islâmica.
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Aceleração da tendência natural à entropia.
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Erro dos modernistas ao julgarem os conquistadores do passado.
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O impacto do Ocidente sobre o Oriente precipitou o declínio das civilizações tradicionais, embora o mundo islâmico ainda conserve vestígios de sua civilização original apesar dos séculos de decadência desde o saque de Bagdad.
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A civilização cristã integral desapareceu com a aceitação da Renascença pela Igreja, que rompeu com os princípios da arte sacra e do ambiente formativo necessários para a manutenção de um Estado ideal segundo Platão.
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O Ocidente tornou-se ingovernável teocentricamente devido à incapacidade coletiva de distinguir entre autoridade legítima e ditadura arbitrária, como demonstrado pela incompreensão da tragédia da teocracia no Tibete.
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Confusão democrática sobre a natureza da constrição.
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Indiferença ocidental perante a perda espiritual do Tibete.
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Persistência de algum respeito aos princípios no Oriente.
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A possibilidade de uma restauração política deve ser avaliada observando o Islã, a mais recente das religiões, distinguindo entre a espiritualidade que transcende o tempo e a civilização que se submete aos ciclos de crescimento e declínio.
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A espiritualidade de uma religião nasce em seu ponto mais alto com os fundadores e não evolui, sendo apenas renovada periodicamente por figuras providenciais que ecoam o impulso inicial.
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Perfeição inicial de Maomé e Cristo.
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Promessa de renovadores (mujaddid) a cada século.
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Caráter atemporal dos renouveaux espirituais.
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A civilização teocêntrica externa necessita de tempo para amadurecer e criar condições favoráveis à espiritualidade, sendo função da autoridade proteger essa maturidade contra as mudanças.
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A comunidade islâmica inicial possuía a perfeição da simplicidade primordial nômade, cuja perda revelou a necessidade de elaboração de uma civilização formal que ainda não estava pronta.
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A “estagnação” do mundo islâmico nos séculos posteriores atuou como uma força conservadora que preservou a estrutura da civilização, tornando-a teoricamente passível de reconstituição, ao contrário da cristandade.
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A governabilidade do povo muçulmano pela Lei Sagrada persiste na massa mas desapareceu na elite modernizada, tornando impossível uma restauração real sem mudanças estruturais profundas e a remoção da influência moderna.
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Uma minoria intelectual pode restabelecer um quadro tradicional para si mesma através de compromissos, mas o retorno de uma nação inteira à tradição exigiria a remoção forçada da civilização moderna.
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A situação presente é inédita na história porque o colapso das tradições não é seguido por outra tradição, mas pela civilização moderna que cristaliza a perspectiva progressista e evolucionista.