O símbolo verdadeiro, imitando a Beleza divina, desdobra separadamente aspectos contidos na unidade sintética do simbolizado, e isso se exemplifica no homem verdadeiro cuja alma, diante da luz do Intelecto, amplia-se para refletir realidades ocultas no Olho do Coração, aparecendo como virtudes que simbolizam Nomes e Qualidades divinas, e também no mundo exterior cuja variedade evidencia o homem como microcosmo correspondente ao macrocosmo.
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Intelecto como luz diante da qual a alma se amplia.
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Olho do Coração como síntese das realidades.
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Virtudes como ornamentos da alma verdadeira.
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Virtudes comparadas aos olhos na cauda do pavão.
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Criaturas como qualidades na alma, cada uma simbolizando uma Qualidade divina.
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Alma humana simbolizando a Essência que contém todas as Qualidades.
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O Qur’ān e o Antigo Testamento testemunham a vice-regência do homem por ele refletir a Verdade total de modo mais amplo que as demais criaturas, que apenas em sentido limitado podem ser vistas como pequenos mundos simbolizando o todo.
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Qur’ān reafirma o homem como vice-regente de Deus na terra.
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Antigo Testamento: Deus criou o homem à Sua imagem.
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Outras criaturas simbolizam o todo de modo mais restrito e separado.
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Singularidade do homem vinculada à amplitude microcósmica.
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As demais características do símbolo verdadeiro, além da pluralidade expansiva, são especialmente marcadas no homem verdadeiro por ele possuir conhecimento direto das realidades superiores, o que torna sua alma extremamente plástica e passiva na busca de refletir plenamente essas realidades, e essa perfeição feminina é figurada pela base voltada para cima do triângulo inferior.
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Conhecimento direto das realidades superiores como exclusividade humana.
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Plasticidade e passividade como disposição de recepção.
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Reflexo pleno e puro como objetivo da alma.
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Base voltada para cima como figura dessa passividade e amplitude.
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O Selo de Salomão figura não apenas a passividade do símbolo diante da atividade do simbolizado, mas também os dois aspectos internos do símbolo em correspondência com os dois aspectos da realidade superior, de modo que o ápice do triângulo superior representa a Unicidade da Majestade e sua base a Amplitude da Beleza, enquanto no triângulo inferior a base representa a amplitude passiva da alma e o ápice voltado para baixo representa a atividade majestosa do homem voltada ao seu reino, a terra, compondo uma imagem da natureza humana perfeita.
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Triângulo superior tomado como figura da Divindade.
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Ápice superior como Unicidade da Majestade e base superior como Amplitude da Beleza.
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Base inferior como amplitude passiva voltada ao Céu.
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Ápice inferior como atividade régia voltada à terra.
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Triângulo inferior como imagem do homem perfeito.
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A perfeição ativa do homem verdadeiro como rei da terra deriva de sua perfeição passiva, pois a amplitude da alma reflete possibilidades de ação e inspira o ato único adequado às circunstâncias, ao passo que o homem caído, sem refletir arquétipos transcendentes, depende do passado e produz ações uniformes marcadas pelo hábito, enquanto o homem verdadeiro opera pela memória vertical do dhikr e gera ações como novas criações sem traços do passado, de modo que a Unicidade da Majestade projeta sua sombra na unicidade do ato humano segundo a lei da inversão.
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Inspiração como escolha do ato perfeitamente ajustado.
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Alma do homem caído sem reflexão direta de arquétipos.
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Dependência de experiência passada e uniformidade de hábitos.
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Pouca necessidade de memória horizontal no homem verdadeiro.
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dhikr como memória vertical ligada à fonte espiritual.
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Ação como nova criação feita para circunstâncias particulares.
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Inversão: arquétipo como causa de passividade e contenção de possibilidades, ação humana como resultado de passividade e contida entre possibilidades.
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Tomando o triângulo superior como Divindade no aspecto de Providência, seu ápice representa o Livre Querer divino expresso no Nome al-qādir e sua base representa o aspecto passivo da Providência como a Mãe do Livro, o Livro Eterno no qual tudo está escrito e que pode ser chamado Livro do Destino, diante do qual o homem verdadeiro é passivo segundo o islām em sentido supremo como aceitação perfeita do Destino própria da santidade, enquanto o ápice inferior representa sua liberdade relativa de ação que, por inversão, resulta dessa passividade.
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Providência interpretada como estrutura de vontade e destino.
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al-qādir como expressão do Livre Querer divino.
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ummu ’l-kitab como Livro Eterno e matriz do destino.
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islām como submissão plenamente realizada e não apenas legal.
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Aceitação perfeita do Destino como marca de santidade.
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Liberdade relativa como fruto da passividade diante do Destino.
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A extrema passividade do homem verdadeiro diante do Céu torna-o mais livre que outras criaturas, e como essa passividade brota do conhecimento espiritual e da visão das Qualidades divinas, as palavras de Jesus sobre a liberdade pela conhecimento ganham interpretação ligada à percepção da Beleza transcendente da Necessidade divina e à gratidão por tudo ser como deve ser, inclusive o próprio destino, culminando no louvor a Deus, Senhor dos mundos.
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Conhecimento espiritual como fonte de passividade e liberdade.
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Visão das Qualidades divinas como fundamento da aceitação.
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Jesus citado: obter conhecimento para ser livre.
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Necessidade divina percebida como Beleza transcendente.
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Harmonia do universo como sombra dessa Necessidade.
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Ação de graças e louvor a Deus como expressão de liberdade relativa.
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A liberdade relativa do homem verdadeiro, como desejo pleno de fazer o que deve ser feito, conduz sua atividade à máxima eficácia e é simbolizada tanto pelo triângulo inferior do Selo de Salomão quanto pelo elemento água, cujo fluxo penetrante preenche cada fissura como o homem preenche cada momento mantendo o olhar voltado ao Céu, sendo essa simbologia confirmada no Tao-Te-Ching ao comparar o bem supremo à água e ao afirmar sua força vencedora na suavidade, pois a água reflete no mundo material a virtude do islām cuja extrema passividade é a forma mais penetrantemente ativa no plano terreno.
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Água como figura do triângulo invertido.
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Fluxo que preenche a rocha como imagem de eficácia.
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Superfície calma voltada ao céu como imagem de serenidade.
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Tao-Te-Ching mencionado como escritura chinesa venerada.
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“The highest good is like water” e a superioridade do fraco e maleável.
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Islã como virtude cuja passividade extrema produz ação penetrante.