A virtude da dignidade, entendida como majestade em repouso, pode ser intensificada por símbolos não humanos como o cisne, que encarna um aspecto particular com perfeição e produz impressão nítida por ser apresentado em modo não humano e além do alcance, e o mesmo vale para grandes símbolos como céu, planície, oceano, deserto, montanha, floresta e rio, formando linguagem comum às raças branca, amarela e negra.
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Dignidade descrita como majestade em repouso.
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Cisne como símbolo de um aspecto isolado e perfeito da dignidade.
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Clareza e irresistibilidade da impressão simbólica.
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Modo não humano como além do alcance humano.
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Retorno ao Arquétipo favorecido pela “beyondness”.
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Série de grandes símbolos naturais enumerados.
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Linguagem comum compartilhada pelas três raças mencionadas.
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O fato de nada existir sem raiz divina permite dizer que tudo é símbolo e ao mesmo tempo não permite, pois símbolo implica poder operativo de lembrar o Arquétipo, de modo que a atribuição de simbolismo depende da força do “louvor”, reservando-se o termo para o que é particularmente impressionante na glorificação.
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Existência fundada em raiz divina.
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Símbolo como “sign” ou “token” com potência evocativa.
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Dependência da potência do louvor: poderoso ou fraco.
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Restrição usual do termo ao que impressiona na glorificação.
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A distinção entre símbolos fortes e fracos é elucidada pela teia de aranha como imagem do universo, tecida da substância do “criador”, em que círculos concêntricos figuram a hierarquia dos mundos e os raios figuram a Misericórdia divina conectando centro e existência, com lacunas crescentes entre raios conforme a distância do mundo ao Tesouro Oculto, e com a explicação de que não há vazios reais porque cada raio possui aura que preenche os intervalos, embora fora do raio não haja reflexão direta excepcional, o que ajuda a explicar disparidades qualitativas no mundo material.
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Teia como imagem apta por ser feita da substância do criador.
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Círculos como planos de existência em graus hierárquicos.
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Circunferências como projeções desconectadas do centro.
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Raios como radiância da Misericórdia e conexão universal.
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Lacunas proporcionais à distância do Tesouro Oculto.
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Mundo material como limite inferior com lacunas mais amplas.
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Ausência de vazios reais assegurada por auras dos raios.
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Disparidades qualitativas explicadas pela posição em relação aos raios.
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As disparidades relevantes não são as grandes distinções entre reinos ou subdivisões, pois leão, águia e abelha são símbolos verdadeiros por serem cumes em seus domínios e por se situarem em raios que podem colocar o observador na mesma linha do Espírito criador para ascensão inversa à Fonte, enquanto outros seres afins são menos favorecidos e exibem sinais da distância ao Princípio no mundo mais remoto.
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Exclusão de disparidades gerais entre animal, vegetal e mineral.
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Leão, águia e abelha como símbolos verdadeiros e cumes.
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Posição nos raios como fundamento da potência simbólica.
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Ascensão inversa à Fonte como efeito da colocação no raio.
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Existência de seres menos favorecidos sem essa potência.
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Condição remota do Princípio como causa de sinais no mundo extremo.
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Em síntese, todas as coisas criadas são ao mesmo tempo projeções desconectadas e radiações conectadas do Princípio criador, definindo-se o símbolo como aquilo em que predomina a conexão sobre a desconexão, enquanto a predominância da desconexão impede potência excepcional de reconectar ao Arquétipo e é essa potência que confere o estatuto de símbolo.
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Dupla relação: projeção e radiação.
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Predomínio de conexão como critério de simbolicidade.
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Predomínio de desconexão como limite da evocação do Arquétipo.
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Estatuto de símbolo ligado à potência de conexão.
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A inseparabilidade entre simbolismo e religião é afirmada pela ideia de religião como restabelecimento de um ligamento com o Arquétipo supremo, exigindo recurso a símbolo, e o homem primordial personifica essa ligação por estar ciente de sua conexão e por mediar entre a Divindade e suas reflexões microcósmica e macrocósmica.
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Religião entendida como re-ligação com o Arquétipo.
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Símbolo como meio necessário de restabelecimento do vínculo.
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Homem primordial como personificação do vínculo.
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Mediação entre Divindade e reflexos: homem ou alma e o estado terreno inteiro.
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Centro humano incluído no macrocosmo.
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Se religião significa espiritualidade, o homem primordial é sua corporificação, mas no sentido etimológico estrito ele não tem religião por não haver conexão a restabelecer, e tampouco necessita de ciência de símbolos em sentido negativo, embora como imagem total do divino reflita a alegria do Tesouro Oculto em ver-se espelhado na criação, fazendo coincidir felicidade paradisíaca com simbolismo sob a beatitude da gnose.
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Distinção entre sentido espiritual e sentido etimológico de religião.
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Ausência de necessidade de reestabelecer conexão jamais rompida.
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Reflexo inevitável da alegria “I loved to be known”.
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Beatitude suprema da gnose como consciência de identidade com o Absoluto.
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Felicidade da alma em bem-aventurança coincidindo com simbolismo paradisíaco.
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Presença de si e de outros microcosmos santos no simbolismo do Paraíso.
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A realização de ritos é aspecto essencial de toda religião, mas para o homem primordial cada ato pode ser rito por consciência simbólica e por possuir natureza espiritual acima da humana que transcende estado terreno e condição temporal, permitindo ver o Espírito como domínio que abarca todo o tempo e situar símbolos como já reabsorvidos nos Arquétipos, enquanto o homem caído não alcança essa perspectiva por ter perdido acesso ao Coração como portal do Espírito e por ter perdido as asas que o santo pode emprestar ao símbolo.
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Ritos como dimensão essencial das religiões.
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Consciência simbólica tornando atos potencialmente rituais.
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Natureza espiritual superior permitindo transcendência do tempo.
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Espírito como abrangendo simultaneamente o antes e o depois.
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Reabsorção simbólica nos Arquétipos como perspectiva elevada.
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Queda como perda de acesso ao Coração.
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Santo como capaz de emprestar asas ao símbolo.
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Asas naturais da alma primordial perdidas na Queda.
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O santo pode alegrar-se com ritos prescritos e é seu performer exemplar, mas o homem caído necessita deles imperativamente como resposta celeste à condição sem asas, podendo defini-los como atos simbólicos dotados providencialmente de asas para retorno à Fonte por identificação com o ato, como linha de vida lançada do Céu que reencena a conexão entre símbolo e Arquétipo e desperta o vínculo adormecido pela repetição constante.
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Ritos como resposta do Céu ao estado caído.
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Definição de rito como símbolo em ato.
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Asas adquiridas pelo performer via identificação com o rito.
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Rito como linha de vida lançada do Céu e aderência do adorador.
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Reencenação da conexão homem-Arquétipo.
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Vínculo não rompido mas dormente.
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Necessidade de repetição para passar do sono à vigília.
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A relação entre ritos e as categorias de símbolos inclui a capacidade do Tesouro Oculto de irradiar novos aspectos com intensidade e modo adaptados a tempos e lugares para vencer limitações humanas, e tais intervenções fundam religiões e criam símbolos excepcionais que não se reduzem às definições comuns, pois embora todo símbolo tenha identidade misteriosa com seu Arquétipo ele permanece sujeito às condições mundanas, enquanto a Revelação e seus símbolos sacramentais, embora em forma finita, são intrusões de outro mundo e presença real do Infinito no finito, estendendo-se isso às Revelações como Vedas, Pentateuco, Salmos, Tao-Te-King e Qur’ān e às descidas da Palavra como Avataras, Buddha e Jesus, de modo que não é adequado chamá-los de meros símbolos.
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Irradiação renovada do Tesouro Oculto conforme necessidade e receptividade.
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Intervenções divinas como estabelecimento das religiões.
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Símbolos excepcionais gerados em momentos cíclicos.
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Símbolos ordinários como sujeitos a condições e limites do mundo.
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Revelação como “não criada” e não “of this world” apesar de forma finita.
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Intrusão do Infinito no finito e do transformacional no formal.
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Lista de Revelações: Vedas, Pentateuco, Salmos, Tao-Te-King, Qur’ān.
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Descidas da Palavra: Avataras, Buddha, Jesus.
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Inadequação de reduzir tais realidades a meros símbolos.
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Para distinguir o símbolo sacramental, a expressão “begotten not made” é transposta para afirmar que ele procede da Fonte por pura radiação e pode ser dito “de uma substância” com o Arquétipo, diferindo dos símbolos comuns.
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Critério anterior: predomínio de radiação sobre projeção.
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Símbolo sacramental como radiação quase pura.
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“Begotten not made” aplicado de modo universal.
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“Of one substance” com o Arquétipo como caracterização.
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A Eucaristia como exemplo de símbolo sacramental tem sua alteridade afirmada também pela Revelação islâmica ao mencionar a Última Ceia no capítulo “The Banquet” como resposta à oração de Jesus por um banquete do Céu que fosse sinal, e a identidade do símbolo sacramental com o Arquétipo funda o rito esotérico universal de invocar o Nome divino, como no japa-yoga hindu e equivalentes, garantidos pela verdade sufi de que o Nome é o Nomeado.
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Eucaristia como exemplo central.
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Qur’ān V: 114 associado ao pedido de Jesus e dos discípulos.
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Banquete do Céu como festa para primeiros e últimos e como sinal.
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Dogma islâmico de que o Qur’ān é “não criado”.
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Identidade sacramental como base da invocação do Nome divino.
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japa-yoga como união pela invocação.
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Fórmula sufi: “the Name is the Named”.