A função primordial dos atores e diretores para fazer justiça ao significado profundo das peças de Shakespeare é ser o mais fiel possível ao significado literal, pois o significado mais profundo se manifestará por si só a partir dessa fidelidade.
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A fidelidade ao sentido literal é complexa porque as peças maduras de Shakespeare centram-se na perfeição humana absoluta e insuperável, uma substância psíquica rica, una, simples e profunda que o ator precisa compreender em sua plena extensão.
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O ator de Hamlet malogra se o público, na última cena, não concordar de coração com a exclamação de admiração de Horácio (“Ah, que rei é este!”) e com as palavras de Fortimbrás sobre a maior realeza que Hamlet teria mostrado.
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O ator que representa Antônio não pode esquecer que, no final, seus homens dirão que a estrela caiu e o tempo atingiu seu período final, nem que Cleópatra dirá que nada mais resta digno de ser observado sob a lua.
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Para evitar a dificuldade de representar a grandeza, o ator não pode apegar-se a palavras como “dotage” (senilidade) usadas pelos inimigos e retratar um homem debilitado, pois isso prejudica todo o significado da peça.
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O motivo consciente para desviar-se do caminho traçado é frequentemente o desejo de ser original ou contemporâneo, levando a evitar o tema principal da sinceridade e profundidade e a inventar sutilezas psicológicas não justificadas pelo texto, como um injustificável “complexo de Édipo” em Hamlet, quando sua atitude para com a mãe é completamente normal e sua aflição é proporcional à profundidade de seu amor filial.