O simbolismo dos amantes é reversível, como nas outras peças maduras, mas Próspero representa o Espírito-Intelecto, Miranda é sua extensão e discípula, e Ferdinando, futuro Rei de Nápoles, representa o Espírito em relação à alma-Miranda.
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Alonso representa o chumbo da alma, o metal comum do qual Ferdinando é o ouro potencial, segundo a correspondência estabelecida pelo místico muçulmano Muhiddin
Ibn Arabi.
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A separação temporária de Ferdinando e Alonso é alquimicamente necessária: a combinação bruta e unilateral deve ser dissolvida para que espírito e alma se casem novamente após o divórcio.
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O arrependimento completo de Alonso, induzido por Ariel sob ordens de Próspero, marca o fim de seu Purgatório e é condição para que Próspero consinta com o casamento de Ferdinando e Miranda.
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Gonzalo, na última cena, traça uma síntese que abarca o maior número possível de pessoas na bênção do trabalho alquímico, afirmando duplamente o significado transcendente da peça.
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A frase gravai-a a ouro em lápides duradouras é uma clara referência alquímica, retomando o ditado de que a essência do chumbo é o ouro.
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As palavras encontrar a si mesmo remetem ao preceito de Santo Agostinho que eu me conheça, Senhor, e assim possa Vos conhecer, e ao Duque de Medida por medida definido como aquele que luta especialmente para conhecer a si mesmo.
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Encontrar o verdadeiro eu é o objetivo dos Pequenos Mistérios, mas é apenas um estágio no caminho de um conhecimento mais elevado.
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No noivado de Ferdinando e Miranda, Próspero os prepara para os Grandes Mistérios do Paraíso Celeste, ensinando que todas as glórias da vida terrena não são mais do que um sonho.
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A fala de Próspero sobre os atores que se dissolvem no ar e sobre nossa vidinha que se completa com um sono só é colocada exatamente no momento em que o Paraíso Terreno é atingido, indicando que há algo além.
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Em A tempestade não há personagem correspondente a Hermione de Conto de inverno; em seu lugar a ênfase recai sobre a diferença entre noivado e casamento.
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A peça inteira compensa sua inclinação para baixo elevando-se em direção ao Paraíso Celeste, isto é, à união final dos amantes que está além do noivado.
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As palavras finais de Próspero, cada terceiro pensamento deve ser a minha sepultura, são identificadas por Martin
Lings com a condição do mestre espiritual supremo que já morreu a grande morte interior antes de morrer corporalmente.
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Próspero abandona sua arte e retira-se para Milão assim como Shakespeare abandona a sua arte e retira-se para Stratford.
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A morte como portal não é digna de meditação em si mesma, mas como passagem para o estado desperto de ver face a face e não através de um vidro opaco.
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O terceiro pensamento tem um significado celestial: primeiro, a consciência de uma certa separação da União; segundo, a gratidão reiterada pela bênção do estado espiritual; terceiro, a oferenda de cada terceiro pensamento à morte eventual da natureza humana e à reabsorção final no Espírito.