PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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O início da instrução deve priorizar a questão formulada pelo buscador, utilizando-a como ponto de partida ainda que se suspeite de perplexidades mais profundas e não confessadas.
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A primeira contribuição do instrutor consiste frequentemente em reformular a pergunta de maneira correta, eliminando confusões entre ordens de realidade ou intrusões passionais.
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Uma questão acuradamente refraseada contém em si metade da solução, permitindo que o próprio buscador a elicite sem que a resposta lhe seja imposta externamente.
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Diante de indagações genéricas sobre a busca de uma via espiritual, deve-se investigar as possibilidades mais acessíveis e menos obstaculizadas, mantendo a abertura para caminhos mais remotos.
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É imperativo evitar que a escolha de uma senda seja precipitada por pesos subjetivos, respeitando a complexidade de fatores como tempo, lugar e afinidades psíquicas que não se revelam de imediato.
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O instrutor deve fundamentar seus comentários estritamente nas normas tradicionais, minimizando a intrusão de opiniões ou preferências pessoais para que o buscador assuma a responsabilidade por suas próprias decisões.
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A função do instrutor é atuar como porta-voz temporário da tradição, exigindo um distanciamento calculado que não deve ser abandonado sob qualquer provocação ou apego sentimental.
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O objetivo não é o debate ou a advocacia de uma forma particular, mas sim sustentar o espelho do conhecimento metafísico puro diante das dificuldades do outro para dissipar contradições.
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Intelectuais modernos, sobrecarregados de conceitos abstratos e informações factuais, tendem a encontrar obstáculos mais severos na entrada da Via, exigindo maior rigor interpretativo.
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Preconceitos sentimentais devem ser expostos em sua natureza real, porém com firmeza temperada por cortesia e simpatia, reconhecendo que o domínio emocional é propenso a reações violentas que impedem a consideração imparcial.
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O buscador deve dispor de tempo suficiente para recuperar o equilíbrio após o desvelamento de suas inclinações passionais.
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A restauração do estado de imparcialidade é condição necessária para a progressão no diálogo espiritual.
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O instrutor deve abster-se de análises psicológicas ou de devassar a vida privada do buscador, limitando-se a colher fatos indispensáveis para tornar o problema espiritual concreto.
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A busca por aconselhamento é, por si só, um indício de angústia espiritual aguda que demanda simpatia e respeito pela privacidade do ser.
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Sinais pequenos e aparentemente irrelevantes são frequentemente mais reveladores do que explicações racionalizadas, as quais tendem a assumir um caráter apologético ou forense.
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O foco deve permanecer na necessidade espiritual objetiva, evitando que o diálogo degenere em uma exploração de antecedentes biográficos desnecessários.