Existência de respostas negativas à possibilidade de graça no budismo decorrente de apologéticas neobudistas centradas em um humanismo ocidental que enfatiza o esforço puramente empírico do indivíduo.
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A caracterização do Buda como mero descobridor da via é válida em contexto tradicional, mas a interpretação da oportunidade como puramente empírica carece de fundamento sólido.
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A ausência de um Deus pessoal em sistemas não teístas dificulta, para observadores externos, a reconciliação entre um dom imerecido e a inflexibilidade da lei do carma.
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A função divina traduzida como graça é inteligível no budismo, embora a sabedoria budista não lhe confira a mesma forma encontrada nas doutrinas personalistas de proveniência semítica.
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Cada forma de sabedoria determina a natureza de seu método correspondente, sendo este um princípio governante da vida espiritual budista.
* Diferenciação necessária entre a revelação cristã, que requer a afirmação da graça desde o princípio, e a abordagem budista, cujas diferenças de método decorrem do desenvolvimento cármico da humanidade.
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A correspondência do termo graça a uma dimensão universal da experiência espiritual torna impensável sua ausência em uma das grandes religiões mundiais.
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A expressão dessa dimensão em países tradicionalmente budistas ocorre através de formas apropriadas que carregam ensinamentos explícitos ou latentes.
* Natureza paradoxal da busca pela iluminação que parece exigir o abrangimento do absoluto pelo relativo e do imperecível pelo efêmero, posicionando o homem como sujeito e a iluminação como objeto.
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Paralelismo nas religiões teístas onde a busca por Deus reconhece que a percepção humana unilateral é inadequada à essência divina.
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Inadequação intrínseca das potências humanas para igualar a talidade da iluminação, apesar do convite budista ao estado búdico.
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Acessibilidade do objetivo transcendente a todo ser humano em virtude de sua posição no eixo do estado búdico e, indiretamente, a todos os seres sencientes.
* Distinção terminológica entre a iluminação apresentada como estado no budismo e o objetivo vestido com atributos de personalidade nas religiões semíticas.
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Permanência da ideia de divindade inqualificável no termo Deus, mesmo em teologias ocidentais com viés antimetafísico.
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Reconciliação perfeita dos pontos de vista pessoal e impessoal no hinduísmo, fora do mundo semítico.
* Legitimidade do uso de modos de expressão pessoais ou antropomórficos no budismo como meios provisórios ou upayas para evocar uma realidade inexprimível.
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Importância do contexto e da maneira de utilizar os termos em detrimento das palavras isoladas.
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Primazia do silêncio sobre a fala, exemplificada pelo silêncio do Buda e a origem do Zen no episódio da flor.
* Identificação da transcendência no Cânone Pali como chave para a compreensão da graça no cenário budista.
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Afirmação da existência do não nascido e não composto como condição necessária para a escapatória do mundo dos fenômenos compostos.
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Uso de linguagem de transcendência análoga à de cristãos ou muçulmanos para fundamentar a esperança humana.
* Necessidade de uma ponte ou elo entre o mutável e o eterno, correspondendo esta função à graça divina.
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Ineficácia de uma busca baseada apenas na visão imperfeita e poderes limitados do buscador diante da incomensurabilidade da iluminação.
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Caráter ilusório da reivindicação humana de um eu individual, causa de aberrações conceituais.
* Impossibilidade de o homem ser o agente ativo em uma operação onde a iluminação desempenharia papel passivo.
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Atividade plena da consciência da realidade divina, situada fora de todo o devir.
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Pertencimento de toda contingência e potencialidade ao samsara, o ciclo da existência composta.
* Reconhecimento da iluminação como o verdadeiro sujeito da busca e do homem como o termo passivo da adequação suprema.
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Cancelamento da distinção sujeito-objeto na iluminação, conforme intuição metafísica.
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Perspectiva de Meister Eckhart sobre a prontidão do superior em derramar seu poder sobre o inferior, aplicável à iluminação budista.
* Inversão da percepção da realidade causada por um egocentrismo deslocado e pela ilusão congênita da existência.
* Atividade da iluminação como função da graça que condiciona o retorno do homem ao centro.
* Manifestação da influência atrativa da iluminação na consciência humana através do convite, do acompanhamento e dos lembretes.
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Correspondência do convite à conversão e ao dom da fé.
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Correspondência do acompanhamento ao estado de graça que permite superar fraquezas ordinárias.
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Identificação dos lembretes com os meios de graça ou upayas consagrados pela tradição.
* Descrição do convite à iluminação como a primeira experiência clara de um chamado para tornar a vida religiosa uma realidade.
* Surgimento do pensamento da iluminação ou bodhi-citta como requisito para o início da jornada no sentido budista.
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Mistério do despertar da fé e sua concomitante renúncia ao mundo.
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Perigo da apresentação da não dualidade para iniciantes, podendo gerar inflação do ego.
* Caracterização da urgência espiritual como um dom gratuito onde o indivíduo é o recipiente passivo.
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Reconhecimento da iluminação como único valor intrínseco e critério de avaliação de todas as outras coisas.
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Definição da vida espiritual por Frithjof Schuon como o discernimento entre o real e o ilusório.
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Incisão inicial na casca da ignorância humana operada pela natureza búdica que busca libertação.
* Operação da companhia da iluminação como um fermento que preenche a lacuna entre a incapacidade humana e a tarefa sobre-humana.
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Repetição do chamado inicial em vários estágios do desenvolvimento espiritual.
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Função dos obstáculos samsáricos em revelar e velar simultaneamente o cume da iluminação.
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Distinção fundamental entre o símbolo como chave para o conhecimento e o ídolo como realidade autônoma.
* Necessidade de situar a vida presente no esquema da transmigração para compreender a fluidez do mundo.
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Correlação entre o conhecimento da natureza do samsara e o conhecimento do nirvana.
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Dependência mútua entre a opinião sobre o mundo e a opinião sobre a iluminação, conforme paráfrase de São Tomás de Aquino.
* Crítica à visão ocidental da transmigração como uma segunda chance baseada em progresso ou evolução linear.
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Incompatibilidade da ideia de progresso unidirecional com a indefinitude essencial da transmigração budista.
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Improbabilidade de renascimento humano imediato dada a natureza trivial das atividades na vida comum.
* Raridade do nascimento humano no budismo e a gravidade das consequências cármicas para uma consciência desperdiçada.
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Possibilidade de renascimentos em estados inferiores como resultado de uma vontade morna em relação à verdade.
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Insuficiência da mera ausência de crimes graves para garantir tratamento privilegiado nas escalas cármicas.
* Realismo empírico das escatologias semíticas ao limitar a escolha entre salvação e perdição como meio de urgência espiritual.
* Alcance da iluminação a partir de uma vida humana particular, como ilustrado pelo Príncipe Siddhartha.
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Contribuição do bom carma para a iluminação através da disposição para o conhecimento e surgimento em condições favoráveis.
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Perigo de utilizar a possibilidade de bom carma como desculpa para adiar o esforço espiritual.
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Identificação do Buda com o coração da causalidade, onde cessa todo movimento do devir.
* Surgimento da iluminação pelo fim do sonho da individualidade e não por uma conquista de um eu particular.
* Função dos lembretes de iluminação nas civilizações tradicionais como meios de observar o funcionamento da graça.
* Papel do guru ou mestre espiritual como representante do espírito e iniciador no caminho para a iluminação.
* Mestre espiritual como essência do Sangha, exemplificado pela relação entre Marpa e Mila Repa.
* Existência de um guru interior identificado como o Intelecto ou inteligência intuitiva residente no coração de cada ser.
* Mensagem positiva do sofrimento e das insatisfações recorrentes como guias para a identificação da causa primária do egocentrismo.
* Doutrina Mahayana dos três kayas ou corpos da iluminação como mansões da essência, do usufruto e da projeção no mundo.
* Revelação do sutra tibetano sobre o Buda Samanta Bhadra como expressão da realidade primordial além de nirvana e samsara.
* Introdução do termo vácuo nos sutras budistas para evitar a superposição de conceitos humanos sobre a divindade.
* Manifestação da presença misericordiosa através do fluxo de revelações avatáricas de Budas e Bodisatvas.
* Presença de uma expressão pessoal do divino no budismo em forma distributiva como o Sangha celestial de Budas e Bodisatvas.
* Excelência da imagem do Buda no gesto de tocar a terra como lembrete supremo da iluminação e meio de graça.
* Origem da imagem do Buda como uma projeção milagrosa do próprio Iluminado para servir como verdadeiro símbolo e não mera adulação pessoal.
* Explicação de Titus Burckhardt sobre a inseparabilidade entre a doutrina do carma e a qualidade da graça na imagem sagrada.
* Significado simbólico do episódio em Bodh-gaya onde o Buda desafia Mara ao tocar a terra.
* Simbolismo do lótus e dos gestos das mãos na imagem clássica do Buda para definir as exigências espirituais humanas.
* Exigência de uma atitude ativa em relação ao mundo e passiva em relação às dádivas do céu.
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Crítica ao homem ignorante que inverte essas atitudes ao ser complacente com o mundo e exigente com o espiritual.
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Transformação do carma em graça e guru quando contemplado como lembrete da necessidade de iluminação.
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Analogia com Savitri que venceu a morte pela resignação.
* Predominância da ideia de graça na doutrina da Terra Pura baseada no voto do Buda Amitabha e na invocação de seu nome.
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Atração de europeus por métodos de esforço próprio como Zen ou Theravada humanista em reação ao cristianismo dependente de Deus.
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Indispensabilidade mútua entre as abordagens de poder próprio e poder do outro.
* Moldagem do praticante de Zen pela disciplina tradicional japonesa, autoridade e aceitação de restrições formais.
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Influência do xintoísmo na alma japonesa através do culto à natureza e virtudes cavalheirescas.
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Necessidade de proporção na compreensão do Zen para evitar fascínios por reações contra valores convencionais.
* Presença do elemento de poder do outro no Zen através da figura do mestre ou roshi.
* Ilustração da união entre vontade livre e graça na história da travessia de Bodhidharma sobre um junco.
* Natureza tipicamente budista da doutrina da Terra Pura, rejeitando hipóteses de influência nestoriana externa.
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Fundamentação do ensinamento no voto de compaixão do Bodisatva Dharmakara de não atingir a iluminação sem a libertação de todos os seres.
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Eficácia da invocação do nome de Amitabha como sinal de rendição incondicional à graça.
* Dialética da Terra Pura sobre o enfraquecimento humano nos dias sombrios que justifica a dependência total da graça.
* Existência do mantra mani no Tibete como método de invocação reminiscente do nembutsu.
* Coincidência espiritual entre o budismo e o islã decorrente da natureza das coisas.
* Ponto de encontro de todas as vias religiosas na Terra Pura da iluminação.