PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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O aniversário de dois mil e quinhentos anos do Parinirvana do Buda, celebrado em maio de 1956, serviu como ocasião para homenagens rituais e intelectuais destinadas à iluminação de um mundo obscurecido pelo sofrimento.
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A urgência por luz espiritual na época do Buda encontra um paralelo ainda mais crítico na geração atual, cujas preocupações predominantes estão fatalmente vinculadas às rodas do Samsara e à ignorância dos desejos.
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O Samsara é definido como o ciclo incessante de ações e reações concordantes movidas pela ignorância.
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A tradição atua como testemunha implacável dos princípios que desafiam a passividade complacente perante as sugestões profanas do mundo moderno.
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A reforma verdadeira de qualquer instituição ou vida exige um ato total de autoexame e reorientação da visão, conforme ensinado pelo Buda ao estabelecer a Visão Perfeita como o primeiro marco do Nobre Caminho Óctuplo.
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O despertar de uma consciência aguçada é a necessidade primária para evitar o preço da desatenção, que se manifesta globalmente na destruição em massa ou na criação de um paraíso terrestre ilusório e sem normas espirituais.
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O processo de recordação e retorno aos primeiros princípios exige a união indissociável entre Prajna (Sabedoria) e Upaya (Método), traduzindo a percepção do Dharma em uma vida remodelada por meios espirituais concretos.
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O Dharma é a visão (teoria) que deve ser imediatamente aplicada por meio de upayas.
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Os meios espirituais incluem a conformidade ritual, a cultivação das virtudes e a adesão a cânones artísticos e científicos tradicionais.
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O discernimento dos suportes espirituais deve considerar tanto sua utilidade prática quanto seu simbolismo implícito.
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A espiritualidade autêntica exige meios concretos e abomina abstrações, distinguindo uma doutrina tradicional de origem não-humana de uma filosofia puramente racionalista e humana.
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Termos como “filosofia budista” ou “filosofia hindu” são inadequados por eliminarem o elemento transcendente das revelações.
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O Buda não deve ser reduzido às categorias de pensador, reformador social ou filósofo ético conforme o modernismo ocidental.
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A perfectibilidade da natureza humana exemplificada pelo Buda demonstra que Ele não era apenas um homem, pois a libertação do condicionamento existencial não poderia ocorrer através dos degraus das próprias limitações humanas.
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Sugerir que o Buda era um mero homem é um absurdo lógico que tenta adequar a tradição ao culto sentimental da humanidade.
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A negação da possibilidade de libertação (Moksa) decorre de uma carência de visão metafísica presente tanto no materialismo quanto em certas escolas cristãs.
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A realização búdica no estado humano demonstra a natureza búdica latente em todos os seres, permitindo a libertação através da conjunção entre a ignorância mascarada e o Intelecto.
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A possibilidade de libertação estende-se a todos os seres do Samsara, simbolizada pela frase “deliverance down to the last blade of grass”.
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A existência humana é central e preciosa por estar situada no eixo que atravessa todos os mundos, facilitando o acesso ao estado de Buda.
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O Sutra atua como o fio da natureza búdica que conecta o homem ao centro (caminho da iniciação) e o centro ao homem (tradição e fluxo da Graça).
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Qualquer via autenticamente budista é fundamentalmente intelectual e não pode excluir a Graça, dada a insuficiência dos recursos puramente humanos frente à tarefa da libertação.
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As distinções entre Mahayana e Theravada tornam-se oposições irreduzíveis apenas quando há confusão entre fatores formais e essenciais.
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O esforço humano sem a Graça do Buda seria inútil, enquanto a ausência de esforço torna o homem autor de seu próprio fracasso.
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A mensagem eterna (akaliko dhamma) deve ser aplicada agora segundo a natureza de cada indivíduo.