PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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A Vida Ativa é o veículo primordial de realização para a maioria dos seres no momento presente, exigindo o reconhecimento de sua natureza, condições e limitações para que se evite o engano de esperar dela benefícios que transcendem seus recursos.
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O engajamento na vida de ação é o ponto de partida necessário para qualquer jornada, pois o deslocamento só é possível a partir da situação real em que o ser se encontra.
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O proveito máximo da ação depende da consciência de que ela não esgota a totalidade das possibilidades do ser.
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A distinção entre a Vida Ativa e a Vida Contemplativa fundamenta-se na capacidade de conhecimento direto de Deus, visto que a ação humana é incapaz de afetar o Divino, pertencendo este domínio à identificação indissolúvel e à Graça.
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A Vida Contemplativa exige métodos específicos que treinam o ser para fixar o olhar na Causa Transcendente sem distração.
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A onipontualidade, assemelhada ao foco do golpe de um ourives, permite que o conhecimento surja sem interferências externas.
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A quietude aparente do contemplativo representa o estado de atividade mais intenso e real, indistinguível da própria Atividade do Céu.
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O termo atividade aplica-se analogamente tanto à ordem universal quanto às ordens limitadas, pois as realidades inferiores refletem a realidade única e incondicionada da qual dependem para não serem puras ficções.
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Atividades voltadas para o exterior e para o ambiente são subordinadas e visíveis por sua própria dispersão.
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A interconexão dos elementos da existência garante que o reflexo da ordem universal sustente a realidade das ações contingentes.
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A ética, as ciências sociais e a teoria do trabalho vinculam-se estritamente à Vida Ativa, caracterizando-se por atos de fazer ou fabricar que carecem de sentido fora deste domínio.
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A doutrina tradicional sobre a ação não constitui um sistema filosófico original ou invenção individual, mas um conhecimento comum às civilizações sapienciais que visa a realização efetiva do ser e não o entretenimento acadêmico.
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O caráter impessoal e a impossibilidade de atribuir a doutrina a um autor humano conferem-lhe autoridade e valor.
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Opiniões privadas e disputas intelectuais são irrelevantes diante do propósito genuíno do conhecimento doutrinário.
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A teoria, em sua acepção etimológica de visão, atua como o vislumbre do objetivo distante que incentiva o peregrino a iniciar e perseverar na Via através de estágios intermediários de conhecimento parcial.
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O método e a sabedoria são parceiros eternos e indissociáveis, exigindo a figura do Mestre Espiritual ou Guru para a transmissão de uma influência que transcende a ordem individual e ordena a vida externa.
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A sucessão regular de origem supra-humana qualifica o mestre para iniciar o discípulo conforme suas capacidades.
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A relação de paternidade e filiação espiritual assegura a harmonia entre a vida interior e as atividades externas do ser.
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A função do mestre abrange desde as disciplinas contemplativas até as artes ativas e o governo.
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O verdadeiro Conhecimento distingue-se da mera informação por ser uma verificação imediata e essencial de Deus, superando as ciências experimentais que lidam apenas com dados fragmentados e sensoriais.
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O uso decadente da palavra conhecimento para designar resultados desconectados de estudos científicos seria mais precisamente descrito como informação.
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Ciências auxiliares possuem autoridade derivada apenas quando vinculadas ao conhecimento transcendente.
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A erudição, a filosofia sistêmica e as profissões sedentárias pertencem integralmente à Vida Ativa, não constituindo um estágio intermediário para a contemplação como supõe a ilusão comum.
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O Conhecimento supremo implica que conhecer é ser, conforme a máxima aristotélica de que a alma é o que ela conhece, repercutindo em todas as esferas da existência.
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O conhecimento tradicional não é sobre as coisas, mas sobre Aquilo de que o ser depende.
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Nos planos mais elevados, a distinção entre sujeito e objeto de conhecimento desaparece.
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A expressão formal de qualquer ideia é inerentemente limitada, sendo o núcleo essencial incommunicável e passível de ser captado apenas pela assimilação intelectual direta realizada na solidão.