A identificação do nada com imagens de obscuridade ou vacuidade presentes nas Escrituras constitui um erro interpretativo, visto que tais símbolos representam a Receptividade cosmológica de Deus.
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A Gênese I, 2 simboliza a Receptividade divina que preexiste à criação e estabelece uma descontinuidade relativa entre o Criador e o cosmos.
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O fiat lux preenche o vazio relativo com a Luz criadora, concretizando as trevas da Receptividade na matéria cósmica que reflete as formas das criaturas.
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A exegese esotérica postula a preexistência da Luz e da Receptividade divinas, que contêm os efeitos cósmicos em estado ontológico e arquetípico.
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A percepção sensorial do ser criado é incapaz de testemunhar o surgimento a partir do nada, pois a visão pressupõe a própria existência do sujeito e do objeto.
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A realidade relativa do ser procede logicamente de uma realidade preexistente e incriada, identificada nas religiões como a Causa primeira, absoluta e incondicionada.
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Deus, como Realidade infinita, exclui qualquer ausência de realidade em si ou fora de si, percebendo o fenômeno cósmico não como algo vindo do nada, mas como uma aparência de Si mesmo.