Jacques Chevalier observa que, para Tomás de Aquino, o nada é um simples ente de razão que não atua como causa, sujeito ou termo da ação divina.
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A expressão tirada do nada significa a dependência total da criatura em relação ao Incondicionado absoluto.
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O Divino Artista produz efeitos pela virtude de Sua própria natureza, sem necessidade de materiais exteriores.
O ponto de partida da criação é concebido como não-ser puramente lógico, enfatizando que a substância completa da coisa reside no seu termo último.
As criaturas que não existem em si mesmas preexistem incriadamente em Deus como objetos de Seu conhecimento e preordenação, segundo a epístola aos Romanos quatro, dezessete.
As criaturas estão em Deus tanto por estarem sob Seu poder e conservação quanto por estarem em Sua mente através de suas razões próprias, que se identificam com a Essência divina.
A inexistência criatural das coisas equivale à sua pré-existência inteligível no Ser eterno, que conhece Sua Essência como participável por semelhança.
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Deus concebe em Sua Unidade uma pluralidade de Ideias arquetípicas que funcionam como exemplares para a multiplicidade criada.
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A multiplicidade das Ideias é estabelecida pelo Intelecto divino ao comparar Sua Essência com as possibilidades de participação, sem que isso fragmente a Unidade absoluta de Deus.
As relações subsistentes na Essência divina constituem as três Pessoas da Trindade, que se distinguem das relações cognitivas e causais estabelecidas com as criaturas.
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A determinação do criado como outro em relação à Substância infinita gera a existência efêmera de formas e matérias finitas.
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A descontinuidade entre o Criador e o criado é superada pela relação real de dependência da criatura para com sua Causa incriada.
Deus é o Senhor real das criaturas por lhes conferir realidade e presença íntima através de Sua continuidade infinita, apesar da dissimilitude de naturezas.
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A relação de Deus com a criatura é de razão, mas a relação da criatura com Deus é real, baseada na dependência ontológica absoluta.
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A soberania divina manifesta-se simultaneamente ao surgimento do servo no ato criador.
A presença de Deus em todas as coisas é íntima e profunda, pois Ele é a causa do ser, que é o elemento mais interno de qualquer ente.
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Deus contém todas as coisas e age nelas imediatamente; a distância entre o Criador e o criado é de ordem qualitativa e não espacial.
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A habitação divina no mundo ocorre por Potência, Presença e Essência, sustentando a existência de cada ser.
As coisas preexistem em Deus como em seu Exemplar primeiro, sendo as Ideias identificadas com a própria Essência divina em Sua unidade.
O ato de criar é comum às três Pessoas da Trindade, embora se atribuam funções específicas a cada uma conforme seus atributos e processões.
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O Pai é o princípio sem princípio (Poder); o Filho é o Verbo por quem tudo foi feito (Sabedoria); o Espírito Santo é o Amor que governa e vivifica (Bondade).
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As processões das Pessoas são as razões produtoras das criaturas, envolvendo Ciência e Vontade no processo de manifestação.
Toda criatura carrega um vestígio da Trindade em sua subsistência (Pai), em sua forma específica (Filho) e em sua ordenação final (Espírito Santo).
A Trindade é a Causa inicial, eficiente, exemplar e final que conduz todas as coisas de volta à Essência divina em um movimento circular.
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O retorno a Deus é o fim último de todas as coisas, devendo ser realizado pela criatura inteligente através da união unitiva do amor e do conhecimento.
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A deificação do homem ocorre pela Graça (participação na Natureza divina), pela Caridade (movimento para o Bem) e pela Sabedoria (alcance da Filiação divina).