Pela sua primeira emanação, o Pensamento como primeira irradiação ontológica do Ser causal, Deus determina todas as coisas, e pela sua primeira manifestação espiritual, a Palavra, Deus cria todas as coisas e revela simultaneamente sua razão de ser, atuando como ato criador, revelador e redentor.
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Todas as verdades que podem ser expressas estão contidas nessa revelação divina.
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Ao descer à terra, a Palavra una e universal se multiplica em línguas ou revelações diferentes, destinadas às diversas partes da humanidade.
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O único Verdadeiro e o único Real respondem, sob formas sagradas variadas, às compreensões e temperamentos dos grandes tipos humanos.
A ideia da unidade transcendental das religiões, exposta por René Guénon, Frithjof Schuon e Ananda K. Coomaraswamy, afirma a identidade dos princípios essenciais das diferentes revelações ortodoxas, reconhecível pelo aprofundamento metafísico de dogmas e símbolos.
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As expressões variam de uma religião a outra, mas, à luz da Verdade supraformal e universal, perdem o caráter antinômico e coincidem essencialmente no Uno.
Para superar o erro dualista alimentado por aparentes contradições entre revelações ortodoxas, é necessário evitar sincretismo fantasioso e, ao contrário, respeitar estritamente os contornos próprios de cada tradição, pois é no fundo da unicidade de cada uma que se encontra a unidade comum e supraformal, o único Pai e Deus.
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A luz puramente espiritual, criadora e redentora, é a mesma em toda parte, como a luz do sol sobre paisagens diferentes.
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Quando a inteligência supera o plano formal de dogmas e símbolos e penetra no reino de seus arquétipos sem forma, torna-se visível que a claridade do Uno se fraciona apenas extrinsecamente em raios reveladores.
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Esses raios, embora sigam direções diferentes e se “coloram” de modos diversos, partem de um mesmo centro, revelam os mesmos mistérios e reconduzem à mesma origem e fim de todas as coisas.
Evidenciar, por uma metafísica comparada, a identidade transcendental das religiões comunica conhecimento teórico que reconduz ao Uno sem segundo, enquanto expor os ensinamentos de uma única doutrina sagrada constitui outro meio adotado ao buscar no judaísmo a sabedoria perene reconhecida também nas tradições hindu, budista e sufista.
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A mesma sabedoria é identificada sob outra forma nas fontes judaicas e também nas cristãs.
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A tradição esotérica de Israel facilita a construção de uma ponte espiritual entre a forma particular do judaísmo e as formas de outras religiões ortodoxas.
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O livro limita-se à Qabbalah como recepção e transmissão dos mistérios divinos no seio do “povo eleito”, deixando ao leitor experiente o estabelecimento de analogias reais com outras doutrinas tradicionais.
Entre intérpretes contemporâneos da Cabala, menciona-se G. G. Scholem, cujo aprofundamento teórico permitiu obter visão global do esoterismo judaico, embora a teoria cabalística ainda exija muitos esclarecimentos além do plano histórico e filosófico.
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Não se pretende esgotar a riqueza doutrinal da Cabala.
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O foco recai sobre o ensinamento das Sephiroth como dez aspectos principais de Deus, apresentados como chaves espirituais para considerar sua total realidade.
No livro, ao lado de metafísica e cosmologia, destaca-se o mistério do Nome divino, considerado tanto em seu aspecto intrínseco quanto em sua natureza salvadora, sem entrar em questões propriamente metodológicas.
A sentença “Buscai e encontrareis” é retomada como exortação final.