A relação entre a particularização finita e o Todo invisível, conforme formulada por Abd al-Karim al-Jili, estabelece que o eu individual não pode ser o Divino enquanto mantiver sua identidade particular.
A finitude subsiste tanto em sua existência efêmera quanto em seu arquétipo eterno, enquanto o Infinito permanece inalterado além das prefigurações arquétipicas que distinguem o finito.
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Os arquétipos possuem um aspecto determinado voltado ao finito e um aspecto indeterinado idêntico ao Infinito.
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A expressão sufista nem Ele, nem outro que Ele define as qualidades divinas vinculadas aos arquétipos e seus efeitos criados.
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A identidade essencial plena só ocorre quando a determinação individual é superada em sua raiz principial.
A inexistência de uma descontinuidade absoluta entre os planos é reforçada por doutrinas que afirmam a identidade recíproca entre o eu e o Ele, ressalvadas as distinções de cada natureza em si.
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A presença do Todo indivisível em cada particularização fundamenta a própria existência do eu.
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O eu é uma particularização ilusória do Soi divino, absoluto e infinito.
A confissão mística presente no Cantique des Cantiques expressa a pertença do eu ao Bem-Amado como uma gota de água pertence ao mar, progredindo da dualidade para a união.
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O pertencimento inicial evolui para uma liquofação do ser particular na beatitude indivisível.
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A transformação total culmina na afirmação de Deus como o Tudo do ser, conforme o testemunho de São Francisco de Assis.
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A posse divina estende-se até as faculdades sensoriais do adorador, integrando audição, visão e ação.
O Infinito não se reduz ao finito apesar da identidade essencial, pois o finito permanece como uma possibilidade da Toda-Possibilidade que permite a aparência de alteridade.
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O Um revela-Se como a realidade única e fonte imediata de toda vida, luz e forma sob a multiplicidade aparente.
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A perfeição do finito é atingida na receptividade total e na extinção da participação individualizada em favor da identidade eterna.
A extinção espiritual do ser humano processa-se tanto na absorção do espírito no Sol supremo quanto na dissolução da substância corporal na materia prima, que é a receptividade materna do Infinito.
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O Infinito atualiza e absorve os limites do finito de forma constante em cada instante.
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A continuidade relativa da existência renovada é assegurada pela continuidade essencial e arquétipa do Criador.
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Fenômenos naturais como o ciclo do sono e das estações simbolizam a nova nascimento espiritual e a renascença no Infinito.
O Corão descreve o destino humano como um ciclo de vida e morte onde a consciência da identidade essencial com o Divino é restaurada após a manifestação sob a aparência finita.
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A passagem pela vida física e o retorno à Realidade divina culminam na unificação absoluta com o Ele.
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O término do finito coincide necessariamente com sua reabsorção na essência infinita e eterna que preexiste e subsiste a toda manifestação.