O vínculo espiritual que une o ser criado do homem à sua essência incriada e divina reside na continuidade subjacente do Infinito, que ao manifestar-se no finito, pode tanto iluminá-lo quanto, em plenitude, resolvê-lo completamente em si mesmo.
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A “Unidade do Ser” (wahdat al-wujud) é a continuidade misteriosa do Infinito que, ao revelar-se ao finito, o ilumina e, ao manifestar-se plenamente, o resolve, implicando a passagem do criado através da descontinuidade natural até sua própria essência infinita.
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A resolução do contingente no Eterno, como afirmado por al-Junayd, é a morte interior ao mundo e a “extinção” (fana) da ilusória existência separada na “subsistência” (baqa) eterna.
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A “Unidade do Ser” reflete-se nos múltiplos aspectos do homem, unindo corpo e alma e mantendo uma continuidade oculta entre a alma criada e sua essência espiritual incriada.
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A essência espiritual do homem tem um aspecto criado (reflexo) e um incriado (identificado à Essência suprema), e a Imanência do Infinito se oculta no “coração” (qalb) da alma (nafs), onde reside o “espírito” (ruh) e, em seu foro mais íntimo (batin), o “segredo íntimo” (sirr), ponto de contato com o Incriado.
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Através da purificação e interiorização da alma, o homem passa da multiplicidade ilusória à unidade real, sendo que as designações “alma”, “coração”, “espírito” e “segredo íntimo” nomeiam a mesma entidade sutil em diferentes estágios de purificação, desde a inclinação à imperfeição até a absorção no Incriado.
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A purificação da alma até o “segredo íntimo” coincide com o conhecimento de si mesmo, conforme a sentença do Profeta: “Quem conhece sua nafs (sua alma, até seu 'si' essencial) conhece seu Senhor”.