Há uma espiritualização da sexualidade como há, em sentido inverso, uma animalização da inteligência; no primeiro caso, o que pode ser ocasião de queda torna-se meio de elevação; no segundo, a inteligência se desumaniza e dá lugar ao materialismo e ao existencialismo.
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Assim como nem a consciência nem a inteligência podem brotar da matéria, tampouco o amor, que é uma modalidade da consciência, pode dela derivar, pela simples razão de que o mais não pode vir do menos.
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A origem da criatura não é uma substância do gênero da matéria, mas um arquétipo perfeito e imaterial: perfeito e portanto sem necessidade de evolução transformante; imaterial e portanto tendo sua origem no Espírito e não na matéria.
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A trajetória vai, não a partir de uma substância inerte e inconsciente, mas a partir do Espírito, matriz de todas as possibilidades, ao resultado terrestre; resultado surgido do invisível num momento cíclico em que o mundo físico estava ainda muito menos separado do psíquico do que nos períodos mais tardios e endurecidos.
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A creatio ex nihilo significa, por um lado, que as criaturas não derivam de uma matéria preexistente, e por outro, que a encarnação das possibilidades não pode afetar em nada a imutável Plenitude do Princípio.
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No princípio estava o Espírito, portanto o Verbo; o Espírito, querendo e devendo se comunicar por ser o Soberano Bem, opera a manifestação de suas inumeráveis possibilidades; o Espírito é Luz e Calor ao mesmo tempo, inteligência e vida.
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Reduzir toda inteligência e todo amor a causas materiais é uma forma de não querer reconhecer que nossa existência material é um exílio, e de querer sentir-se à vontade num mundo que se apresenta como fim em si mesmo, dispensando o homem do esforço de superar as coisas e a si mesmo.
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Se os evolucionistas têm razão, o fenômeno humano não se explica e a vida humana não vale a pena de ser vivida; e é a essas conclusões que chegam em definitivo, daí seu axioma da absurdidade da existência, atribuindo ao objeto, que lhes é inacessível, a absurdidade do sujeito que escolheram deliberadamente.
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Credo ut intelligam: esta sentença exprime o ponto de vista de uma espiritualidade voluntarista, e dá conta do fato de que crer é uma forma de compreender em virtude de um pressentimento que é sobrenaturalmente natural ao homem, na medida em que consente em permanecer fiel à sua natureza e à sua vocação.