O Alcorão prescreve as condições para a oração do Nome supremo: humildade, segredo, temor e desejo, firmeza e frequência, visando à quietude dos corações, pois o Nome Allah, sendo o Único, é a grande Paz que faz calar todos os ruídos do mundo e da alma.
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O segredo da invocação refere-se tanto à discrição externa quanto ao sentido interior do “coração” como sede do Si-mesmo.
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A firmeza e frequência do “lembrança” vencem o espaço e o tempo.
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O Nome, como a Paz, joga sobre as coisas um manto de neve que extingue e une num mesmo silêncio eterno.
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O hindu que invoca Shrî Râma identifica-se com Sitâ, a alma raptada pela paixão e ignorância (Râvana) e exilada na matéria (Lanka), abandonando sua existência própria na forma divina de Râma, que assume as cargas da vida e o reconduz a essa forma imutável.
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Râdha, a eterna esposa de Krishna, dá lugar ao mesmo simbolismo.
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O nome Krishna enuncia a sabedoria contida no Mahâbhârata e explicitada na Bhagavadgîtâ.
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A invocação do Buda Amitâbha (Amida), fundamentada na doutrina do Voto original e da redenção, faz o fiel entrar num halo de Misericórdia, abandonando-se com gratidão na luz do Nome, que o conduz ao Paraíso do Oeste (Sukhâvati), para além do ciclo da existência.
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O Amidismo resume-se em pureza (abster-se do mal), invocação do Nome e fé (confiança).
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Amitâbha é Luz e Vida; seu Nome é como um sol que o fiel segue até o outro lado, “para além”.
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A oração implica uma alternativa interior entre uma imperfeição e o “lembrança de Deus”, podendo sobrepor-se a todo ato lícito e, mediante a oração habitual, manter sua vibração mesmo durante pensamentos belos ou úteis que ocupem a mente.
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A oração não pode sobrepor-se a um ato ilícito ou vil.
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O “perfume” da oração pode subsistir durante outras ocupações mentais quando há o hábito da oração e a intenção de perseverar.
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O passado (adquirido) e o futuro (intencional) participam da continuidade inarticulada da prece.
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A vida não é um espaço de possibilidades ao bel-prazer, mas um caminho que se estreita do momento presente à morte, onde se dá o encontro com Deus e a eternidade, realidades já presentes na oração, na atualidade intemporal da Presença divina.
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O importante é a perseverança no “lembrança” que tira do tempo e eleva acima de esperanças e temores.
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A oração, sendo una, situa-se já na eternidade, sendo uma morte, um encontro com Deus e uma beatitude.
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No universo onírico do mundo, a oração é o único ponto estável de paz e luz, a porta estreita para o que o mundo e a vida buscaram em vão; ela dá ao instante terreno todo o peso da eternidade, sendo a barca que conduz à outra margem, ao silêncio de luz.
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As quatro certezas na vida de um homem são: o momento presente, a morte, o encontro com Deus e a eternidade.
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Na oração, não é ela que atravessa o tempo repetindo-se, é o tempo que se detém diante de sua unicidade já celeste.