Os símbolos contidos no verseto da Luz, como o cristal, o astro, a árvore bendita e o azeite, referem-se a aspectos virginiais como a pureza, a Estrela da Manhã ou do Mar, a maternidade espiritual e a fecundidade luminosa, remetendo à doutrina do Si e de suas refrações, personificando Maria os aspectos receptivos da Intelecção universal.
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O cristal simboliza a pureza ou o corpo virginal.
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O astro simboliza a Stella Matutina ou a Stella Maris.
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A árvore bendita simboliza a maternidade espiritual.
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O azeite simboliza a fecundidade luminosa ou o sangue da Virgem.
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Maria personifica a Beleza e a Bondade, bem como a essência inefável da sabedoria e da santidade.
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A consciência muçulmana associa a Virgem à niche de orações e também à tamareira, como no milagre em que, por sua ação ao sacudir o tronco seco, recebe tâmaras frescas, estabelecendo um contraste com o milagre da niche, onde os frutos chegavam por pura graça sem sua participação ativa.
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O milagre da tamareira (sourate Maryam, 25) exige a participação de Maria (fé agente), ao passo que o da niche (pura graça) não.
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No plano espiritual, os dois milagres correspondem às graças de oração de base estática e contemplativa (niche) e de base dinâmica e ativa (tamareira).
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A perfeição de quietude e a perfeição de fervor são ambas necessárias durante o exílio terreno.
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O Corão contém uma passagem de caráter particularmente sintético sobre o mistério da Virgem, apresentando-a como aquela que guardou intacta a virgindade, recebeu a insuflação do Espírito divino, creu nas Palavras de seu Senhor e em seus Livros, e foi dos que se submetem a Deus.
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A passagem encontra-se na sourate da Interdição (LXVI, 12).
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Guardar a virgindade intacta simboliza o coração virgem, aberto ao elemento da Natureza divina, ou seja, ao Espírito transcendentalmente onipresente.
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A insuflação do Espírito evoca a intimidade, a sutileza e a profundidade do dom divino, sem que o Espírito como tal fique contido na manifestação.
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Crer nas Palavras e nos Livros significa reconhecer imediatamente e crer sinceramente (como Çiddïqah) as certezas interiores (Intelecto) e as revelações exteriores.
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Ser dos que se submetem (qanitïn) implica submissão constante a Deus, absorção na oração e invocação, ecoando a imagem de Maria na niche.
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Mohyiddîn Ibn Arabî, ao declarar que seu coração se abriu a todas as formas e que pratica a religião do Amor, tem nessa religião informal a presidência de Seyyidatnâ Maryam, que se identifica assim com a suprema Shakti ou a celeste Prajnâpâramitâ.
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O coração de Ibn Arabî tornou-se capaz de acolher todas as formas religiosas.
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A religião do Amor é uma religião informal.
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Maria preside a essa religião, analogamente à suprema Shakti ou à Prajnâpâramitâ das tradições asiáticas.
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A expressão bíblica da Virgem no Magnificat é natural, dada a relação entre a ciência infusa e a Revelação formal em sua alma, e os principais salmos e cânticos do Antigo Testamento prefiguram as palavras do seu cântico, como demonstrado pela citação de passagens de Habacuque, Salmos, Primeiro Livro de Samuel, Isaías, Jó e Gênesis.
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As citações seguem a ordem das ideias no Magnificat.
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O Cântico de Ana, mãe de Samuel (1 S. II, 1-10), é apresentado como um resumo de toda a doutrina do Magnificat.