A distinção entre o Incriado e o Absoluto é necessária, pois apenas a Essência é o Absoluto puro, enquanto a Relatividade divina, embora incriada, atua como Absoluto apenas em relação ao criado.
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A limitação de uma religião reside no que ela exclui, e essa exclusão manifesta-se na margem humana através de especulações teológicas e fervores morais que frequentemente negam compatibilidades intrínsecas.
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Os anatemas lançados entre religiões e confissões contra santos ou Logoi estrangeiros constituem erros de fato e de atribuição que não invalidam a espiritualidade essencial da tradição que se engana.
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O vilipendio da sabedoria alheia atua como uma consolação humana diante da própria incapacidade de realizá-la de forma autônoma.
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O Cristianismo, apesar de críticas a Sócrates e aos gregos, não pôde prescindir do auxílio da sabedoria helênica.
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A gnose e a liturgia representam as aberturas da teologia para o Ilimitado, onde a beleza do sagrado complementa a sapiência e fala tanto ao sábio quanto ao simples.
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Expressões paradoxais sobre seguir um mestre até o inferno ou aceitar a vontade divina mesmo na condenação eterna visam provocar o perfeito destacamento do ego através do choque dialético.
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A mística voluntarista utiliza argumentos violentos e absurdos porque a verdade pura revela-se inoperante para o nível sentimental.
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Para o tipo pneumático, a verdade como tal é o único fator de atração, tornando desnecessárias tais pressões psicológicas.
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A santidade define-se pela exclusividade e intensidade da vontade voltada ao transcendente, enquanto a sabedoria é determinada pela profundidade da percepção intelectual, podendo ambas interpenetrar-se no indivíduo.
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Práticas excessivas ou supersticiosas em tradições como o Hinduísmo derivam do desejo de preservar a pureza original e da necessidade de oferecer às coletividades um linguagem incisiva e desmesurada.
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A diversidade de caminhos tradicionais justifica-se pela existência de três tipos humanos fundamentais — passional, sentimental e intelectual — cujas combinações determinam a recepção da doutrina.
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Para o tipo intelectual e contemplativo, as formas e desejos são transparentes e a realidade reside no invisível, prevalecendo o destacamento e o sentido platônico da beleza.
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As aparentes ingenuidades das Escrituras em temas científicos não são erros, mas adequações ao que o homem médio pode suportar sem perder o sentido da dimensão infinita da vida.
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A localização do Paraíso no alto e do inferno embaixo obedece à eficácia do simbolismo sensorial e não a uma descrição factual de geografia cósmica.
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O homem antigo captava as intenções espirituais dos símbolos sem questionar o mecanismo físico dos relatos, pois reconhecia a história da queda e do Paraíso em sua própria alma.
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A mentalidade modernista, ao reduzir fenômenos não materiais ao plano psicológico, demonstra uma ignorância sobre as dimensões suprassensíveis do Real e a estrutura das cosmologias tradicionais.
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A insuficiência da argumentação religiosa tradicional para a consciência moderna decorre do desgaste psicológico de métodos sentimentais que não atendem à necessidade de causalidade acumulada pela experiência histórica.
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A margem humana pode ser vista como uma adaptação da Misericórdia divina que prefigura divergências e formulações incompatíveis para atender a diferentes necessidades humanas.
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Fatos históricos religiosos possuem valor de demonstração simbólica e lógica para Deus, podendo ser substituídos por outros símbolos sem alterar o conteúdo essencial da verdade salvadora.
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Cada religião funda-se em um ponto de partida específico que torna sua evidência sublime e exclusiva para seus seguidores, como o pecado para o Cristianismo ou a sofrimento para o Budismo.
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As Epístolas do Novo Testamento representam uma inspiração divina de segundo grau, onde o Espírito Santo por vezes deixa a palavra ao homem santo, conforme reconhecido pelo próprio apóstolo.
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A perspectiva cristã, centrada na consciência da natureza pecaminosa, tende a identificar a sexualidade com o pecado, enquanto outras tradições a percebem como neutra ou positivamente sacramental sob certas condições.
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A tese judaica da imutabilidade da Lei Mosaica é irrefutável dentro de sua dimensão legalista, embora o Cristianismo a tenha essencializado sob o argumento de que o espírito vivifica.
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Se o Cristianismo nega o ponto de vista esotérico, ele torna-se a transgressão que o Judaismo afirma que ele é.
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A distinção entre forma relativa e essência absoluta é a razão de ser do Cristianismo, que não pode abolir essa mesma distinção em favor de sua própria forma.
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Jesus, como profeta enviado a Israel para a regeneração interior, deveria ter sido aceito pelo Judaismo, o que exigiria uma flexibilidade espiritual incomum na Judéia de então.
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Deus manifesta aspectos da Verdade que corrigem não a Revelação anterior, mas a insistência humana unilateral sobre tais aspectos, assemelhando-se a um arrependimento divino frente à corrupção da recepção humana.
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O exoterismo atribui erroneamente ao Sujeito divino absoluto a subjetividade humana dos Egos que falam nas Revelações, ignorando que o Eu revelador é uma adaptação ao receptáculo humano.
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A Verdade essencial permanece una e informe, enquanto as enunciações relativas podem contradizer-se para manter a eficácia pedagógica entre diferentes povos.
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O Eu que dita as Escrituras identifica-se com o Espírito de Deus e o Centro cósmico, servindo de ponte entre o Absoluto e o linguagem humano.
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A acusação islâmica de falsificação das Escrituras refere-se a uma insuficiência de receptividade dos judeus e cristãos perante a totalidade da Revelação celeste não manifestada.
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A falsificação pode ser entendida como uma questão de interpretação teológica e litúrgica que fixa um aspecto da verdade em detrimento de outro, como ocorreu nos cismas e cisões tradicionais.
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A Revelação comporta três graus: a Palavra eterna em Deus, sua especificação archangélica e sua manifestação terrestre em linguagem humana e circunstâncias históricas.
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O Livro revelado poderia manifestar-se através de outros eventos ou palavras sem que sua substância celeste ou essência divina fossem alteradas.
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A revelação pessoal dada a um santo através de ação divina direta difere da simples inspiração, permitindo ao sábio tornar-se sua própria lei sob uma eleição celestial particular.