A essência do pecado, simbolizada por Eva, Adão, a serpente e a torre de Babel, reside na pretensão da criatura de se apropriar do discernimento entre bem e mal, querendo ser igual ao Criador e usurpando uma prerrogativa que pertence à natureza do Ser.
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A tentação da serpente é querer ser mais do que se pode ser.
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Reivindicar para si o discernimento entre bem e mal é querer ser igual ao Criador, sendo essa a essência de todo pecado.
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A queda é a reação da realidade ao engano voluntário do pecador sobre as coisas e sobre si mesmo.
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A ambiguidade fundamental do homem reside em sua natureza divina sem ser Deus, com autoridade e autonomia relativamente absolutas, o que implica que sua queda não poderia ser total, como demonstra a natureza e o destino de Enoque.
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No Corão, o homem dá nomes às criaturas, merecendo a prostração dos anjos, exceto do Anjo supremo, indicando a relatividade de sua divindade.
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A existência de figuras como Enoque prova a priori que a queda do homem não pode ser total.
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A ideologia exotérica condena o esoterismo como usurpação do discernimento entre bem e mal, ignorando a presença no homem de algo incriado, o Intelecto, e que a queda consistiu precisamente na ruptura entre a razão e o Intelecto, entre o eu e o Ser.
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A gnose é acusada de reivindicar a prerrogativa da árvore proibida.
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Há na alma algo incriado e incriável, que é o Intelecto.
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A queda foi a ruptura entre a razão e o Intelecto, ruptura que afeta a humanidade sem poder ser absoluta.