A acusação de «sincretismo» é frequentemente aplicada de maneira indevida a saberes espirituais que reconhecem a verdade única presente em diversas tradições à luz da Sophia perennis.
-
O verdadeiro sincretismo consiste em fabricar doutrina a partir de ideias dispersas.
-
Diferente disso é reconhecer a unidade da verdade em tradições diversas.
-
Tal reconhecimento baseia-se na Sophia perennis.
-
Acusação próxima consiste em interpretar ideias estrangeiras à luz de conceitos familiares.
-
Essa crítica pode ser legítima em certos casos.
-
Não é necessariamente válida quando uma noção estrangeira é explicada mediante conceitos conhecidos.
-
A unidade da verdade corresponde também à unidade fundamental da humanidade.
-
A inexistência de equivalentes exatos entre culturas não implica inacessibilidade das ideias.
-
Ideias mongóis podem ser compreendidas por europeus.
-
Conceitos indígenas norte-americanos como wakan, manito e orenda carecem de equivalentes europeus exatos.
-
Conceitos análogos podem ser descritos mediante linguagem europeia.
-
O conceito japonês de kami constitui quase equivalente dessas noções.
-
Tais conceitos designam formas de teofania ou manifestação de um «gênio» cosmicamente e metacosmicamente ativo.
-
Uma perspectiva metafísica qualificada como «panteísta» leva a perceber nos fenômenos o gênio que transcende sua acidentalidade.
-
Esse gênio manifesta-se como testemunho do Céu através dos fenômenos.
-
A unidade profunda da humanidade torna possível a compreensão entre povos.
-
As divergências de pensamento não anulam essa unidade fundamental.
-
Paixões e fraquezas humanas apresentam notável uniformidade.