Segundo a expressão hindu, a condição humana é difícil de obter, pois as chances de um ser em transmigração de entrar num estado central como o humano são incomensuravelmente menores do que as de cair em estado periférico, o que o simbolismo geométrico do centro e da circunferência exprime com clareza.
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A imagem de uma chuva caindo sobre um terreno cujo centro é marcado por uma pedra ilustra a desproporção entre as chances de atingir o estado central e os estados periféricos.
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A razão suficiente do estado humano, sua lei existencial (dharma), é ser uma ponte entre a terra e o Céu, realizando Deus a algum grau e saindo assim da transmigração (samsara).
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A procriação no casamento é valorizada por toda moral sagrada porque permite a almas errantes em estados periféricos entrar num estado central, ativo e livre, onde podem obter salvação ou libertação.
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A mãe que garante a seus filhos os meios de salvação no seio de civilizações tradicionais exerce uma obra infinitamente caritativa; a mãe é uma porta sagrada para a libertação.
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Não há contradição entre a moral cristã que quer simultaneamente a procriação e a castidade, pois ambas as funções têm sentido em vista de Deus: a castidade de modo direto, interior, vertical e místico; a procriação de modo indireto, exterior, horizontal e social.
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O homem que procria deve realizar a castidade nos modos apropriados; o homem casto deve procriar espiritualmente, pela transmissão das verdades e graças espirituais e pelo irradiar de sua santidade.
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A castidade carnal não é exigência absoluta, sendo atitude estritamente humana; a castidade espiritual, da qual a carnal é apenas um suporte entre outros, é incondicional, pois sem ela não há saída do mundo ilusório das formas.
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Em Islam, a castidade espiritual torna-se pobreza (faqr), de modo que as funções de procriação e castidade podem cumular-se inclusive no plano carnal.