A essência das velhas civilizações é que são ordenadas para realizar o equilíbrio mais perfeito e portanto uma máxima estabilidade, conformando-se profundamente às possibilidades de seu plano de existência; a civilização moderna, ao contrário, substitui os princípios inelutáveis por aspirações humanas que não modificam em nada as leis cósmicas.
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O idealismo moderno está sempre acima das possibilidades humanas coletivas e o realismo moderno abaixo das possibilidades humanas; esses ideais vão de encontro ao real porque respondem a desejos e não a intelecções.
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O rejeito dos princípios normais é consequência inevitável do rejeito da tradição, que é a única capaz de dar a um grupo humano o quadro conforme às suas possibilidades; uma vez quebrado esse quadro, toda aspiração individualista pode se dar livre curso.
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O reproche que se pode fazer aos modernistas não é constatar os enfraquecimentos e endurecimentos que se produzem nas civilizações tradicionais, mas concluir pela inferioridade global dessas civilizações; para ter o direito de julgar assim, o mundo moderno deveria antes de tudo possuir os valores espirituais que estão na base de toda civilização normal.
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Os progressos científicos modernos não poderiam ter valor senão como fruto de uma civilização inspirada pelas realidades espirituais, e a condição de não serem neutralizados por outros progressos negativos ou por calamidades devidas ao desrespeito do possível.
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Há apenas duas possibilidades: civilização integral e espiritual, implicando abusos e superstições, e civilização fragmentária e materialista, implicando muito provisoriamente certos vantagens terrestres mas excluindo o que constitui a razão suficiente e o fim último de toda existência humana.
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O critério decisivo contra os chamados progressos é que era impossível realizá-los sem sacrificar largamente a única coisa necessária, isto é, o que só dá sentido à vida.
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A história está aí para provar que não há outra escolha; o resto é retórica e quimera.