A perspectiva do amor contempla as Perfeições divinas, sinteticamente designadas pelo termo Beleza; ao invés de rejeitar o mundo por causa do caráter efêmero de suas perfeições, o amor se apega aos Protótipos divinos dessas perfeições, de modo que o mundo, esvaziado de seu conteúdo, não terá mais presa sobre o homem.
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Quem sabe que tudo o que ama aqui é amável em virtude das Essências e preexiste infinitamente na Divindade se desprende quase sem o querer das sombras terrestres; nada se perde, pois as perfeições deste mundo não são senão reflexos fugazes das Perfeições eternas.
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Essa meditação ajuda a superar o mundo não renunciando a ele a priori, mas reencontrando-o além do criado, no Princípio que é a Causa de todo bem; a alma assim consolada se repousa em Deus e encontra a paz.
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A beleza é nas criaturas antes de tudo um atributo exterior, e aparece da forma mais pura e abstrata no reino mais periférico, o dos minerais; essa exterioridade da beleza é o reflexo inverso do rapport principial: se a beleza parece exterior nas criaturas, é porque é interior em Deus.
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A Beleza de Deus, se fosse tão facilmente acessível quanto a das criaturas, as aparentes contradições da criação se resolveriam por si mesmas; assim como a beleza de uma mulher pode suprimir todos os raciocínios, a Beleza divina compensa infinitamente as misérias do mundo.
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A concentração contemplativa na Beleza ou Beatitude divina implica na atitude do indivíduo uma analogia paralela (calma, repouso, paz) e uma analogia inversa (contentamento com o que possui de modo imediato e inelutável, resignação com tudo o que é segundo a vontade do destino).
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A fervura, atitude complementar do contentamento, lança a alma em direção à Bondade e Misericórdia divinas, dissolve todos os endurecimentos da alma e se afirma exteriormente pelo amor ao próximo, abolindo as separações individuais nascidas do endurecimento do coração.