Na via de amor (bhakti-marga hindu, mahabbah do Sufismo), a atividade especulativa não desempenha papel de primeiro plano; o bhakta deve obter tudo mediante o amor e a Graça divina, e a tradição inteira pensa por ele por meio de todos os símbolos que possui.
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A doutrina bhaktica representa muito mais um pano de fundo para o trabalho espiritual do que uma expressão perfeitamente adequada da Verdade; para amar é preciso limitar a atenção a um único aspecto da Realidade.
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A via de amor é comparável a um ritmo ou a uma melodia, não a um raciocínio; é uma via de beleza, não de sabedoria no sentido especulativo.
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O florescimento normal da bhakti é condicionado por um quadro tradicional homogêneo; as desvios da bhakti ocorreram sempre onde havia contato com civilização estrangeira.
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No jnana há tendência análoga à dissolução interna das cascas formais, mas procedendo do interior e exteriorizando-se sempre segundo modos previstos pela tradição; na bhakti, ao contrário, essa tendência pode manifestar-se segundo modos anárquicos, como mostram os exemplos de Chaitanya e Mansur El-Hallaj.
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A limitação essencial da bhakti doutrinária, comparando Ramanuja com Shankara, não significa reduzir a bhakti a um simples defeito em relação ao jnana, assim como seria absurdo reduzir a feminilidade a uma falta de virilidade; a bhakti representa em si mesma uma realidade positiva.
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O termo islâmico mahabbah não é sinônimo exato de bhakti, pois designa também uma realidade da via de conhecimento; em Islam, amor e conhecimento não se apresentam como duas vias nitidamente separadas, mas com predominância variável de uma sobre a outra.
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O sentimento é simbolicamente comparável ao que é superior à razão, o Intelecto, porque, como este, não é discursivo mas direto, simples, espontâneo e ilimitado; daí a Inteligência divina poder ser chamada Amor.
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A beleza, quando associada a uma atitude contemplativa, é agradável a Deus ao mesmo título que um sacrifício; o Cristo, Sabedoria de Deus, foi veiculado pela Beleza, a Virgem.