A aparição sensível ou a atividade terrestre de um ser dotado de santidade suprema, como a Virgem Maria, é compatível com seu estado póstumo divino porque a santidade é o apagamento num Protótipo universal, e a Virgem se identifica a um Modelo divino do qual é reflexo na terra.
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Esse Modelo divino é antes de tudo um Aspecto ou Nome de Deus, e a Virgem é, em sua Realidade ou Conhecimento supremo, esse Aspecto divino mesmo.
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O primeiro reflexo desse Aspecto na ordem cósmica ou criada é o Espírito, o Metatron da Cabala, Er-Ruh ou os Anjos supremos na doutrina islâmica, e também a Trimurti hindu; mais particularmente, o Aspecto feminino e benéfico da Trimurti é Lakshmi, imediata impressão da Bondade e Beleza divinas no ápice de todos os mundos.
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A Virgem Maria é, em seu estado póstumo, criada e incriada ao mesmo tempo; a teologia exotérica a reconhece ao menos implicitamente ao defini-la como Corredentora, Mãe de Deus e Esposa do Espírito Santo.
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A teologia exotérica pode reconhecer, sem formulações problemáticas, que a Virgem foi criada antes da Criação, o que equivale a identificá-la ao Espírito universal em sua função feminina, materna e benéfica.
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A impressão divina na manifestação supra-formal comporta, por repercussão cósmica, uma impressão psíquica que é Maria em sua forma humana; os Protótipos universais, quando se manifestam, o fazem através dessa forma psíquica, que pode sempre se reabsorver em seus Protótipos, assim como o corpo se reabsorve na alma e o Protótipo criado no incriado.