A ideia de transgressão ou pecado apresenta-se de formas diferentes nas doutrinas tradicionais quanto ao seu aspecto humano, embora não quanto ao seu conteúdo essencial: no Cristianismo está ligada à queda de Adão e à redenção messiânica, com o corpo feminino tornando-se quase símbolo do mal; no Islã aparece como revolta e negação da Norma divina; no Hinduísmo como ruptura de equilíbrio contrária ao dharma; no pensamento chinês como esquecimento do Tao.
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No Cristianismo, o pecado é encarado sob os aspectos da sedução e da queda, os aspectos luciferiano e satânico do simbolismo da mulher, o que explica as restrições relativas à mulher como instrumento de volúpia.
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No Islã, o pecado é revolta que destrói o equilíbrio do abandono (islã) e negação da Norma divina; as duas interdições alimentares, das bebidas embriagantes e do porco, concretizam essa concepção.
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O porco encarna a qualidade de obscuridade (tamas) e não é suscetível de transposição espiritual; o vinho, representando a qualidade de paixão (rajas), tem sentido positivo e simboliza nos escritos sufis a embriaguez contemplativa.
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O amor, resultando da qualidade de paixão e não da obscuridade, é transponível ao plano espiritual, e por isso muitos escritos sufis tomam a forma de poemas de amor.
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No Hinduísmo, a infração é adharma, não-conformidade a uma lei necessária, conceito próximo ao de islã, sendo sua forma puramente metafísica.
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No pensamento chinês, a infração é contrária à natureza (sing), Lei do Céu, e equivale a um esquecimento do Tao, Raiz divina e medida de todas as coisas.