Observando o homem de fora distinguem-se corpo e cabeça como dois conjuntos formais que manifestam um terceiro elemento oculto o coração, e o homem exterior é dito perfeito quando rosto e corpo exprimem o coração por beleza e sobretudo por interiorização, o que é exemplificado pela imagem sagrada do Buda com majestade imóvel, olhos semicerrados, simetria calma e gesto de silêncio e retorno ao centro, configurando o Coração-Intelecto penetrando o corpo e absorvendo-o, de modo que a espiritualidade é tanto a penetração transformadora do mental-corpo pelo Intelecto em direção a Deus quanto o retorno por absorção do mental-corpo ao Intelecto, o que esclarece a postura yoga fundamental como alquimia de formas e centros e permite compreender as representações do Buda sentado, em pé e deitado como contemplação no agir, no não agir e como sono que é vigília e vigília que é sono, sendo a santidade sapiencial descrita como sono do ego e vigília do Si ou do vazio.
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Corpo e cabeça são tomados como manifestações externas de um coração oculto.
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Buda é citado como imagem de interiorização e retorno ao centro.
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Olhos semicerrados, simetria e calma são associados a majestade imutável.
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Gesto de silêncio é associado a parada e contemplação.
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Espiritualidade é definida como penetração do Intelecto no mental-corpo e como absorção inversa.
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Postura yoga é tratada como alquimia de formas e centros.
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Buda em pé é vinculado a contemplação na ação.
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Buda sentado é vinculado a contemplação no não agir.
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Buda deitado é vinculado a sono como vigília e vigília como sono.
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Santidade sapiencial é sono do ego e vigília do Si ou do vazio.
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A frase eu durmo mas meu coração vela é evocada como chave simbólica.
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O adormecer requerido não recai sobre a atividade desinteressada mas sobre a vida instintiva e o vaivém passional, pois o sonho habitual vive de passado e futuro e impede repouso no Ser, e Deus é Ser em sentido absoluto como essência e não como determinação ou movimento, de modo que no alma o aspecto ser amado por Deus se confunde com consciência não moral, e ações só são amadas enquanto expressão do ser ou caminho para ele, sendo a atividade em si sem importância.
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Vida instintiva é descrita como vaivém passional que deve adormecer.
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Passado e futuro são descritos como suspensão e arrasto da alma.
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Repousar no Ser é indicado como alternativa ao sonho habitual.
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Deus é Ser como essência e não como movimento.
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Consciência é vinculada ao ser em sentido não moral.
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Ações são avaliadas como expressão do ser ou via para o ser.
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O ternário coração cérebro corpo prefigura o ternário Si Espírito Mundo, pois assim como o Espírito divino ou Intelecto universal e o macrocosmo que ele ilumina são projeção bipolarizada do Si no nada existencial, o mental e o corpo projetam o Intelecto na periferia de alternâncias, e assim como o Si parece ausente da manifestação que o vela mas o exprime, o coração permanece oculto enquanto cabeça e corpo são visíveis, de modo que o coração é à cabeça e ao corpo o que o Si é ao Espírito e ao homem, e a fórmula o Verbo se fez carne é vinculada à penetração do Coração-Intelecto na noite corporal para reintegrar a existência projetada na unidade e na paz do Ser puro.
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Si, Espírito e Mundo são alinhados como modelo macrocósmico do ternário humano.
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Projeção bipolarizada no nada existencial é aplicada ao Espírito divino e ao macrocosmo.
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Reino das alternâncias é atribuído à periferia existencial.
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Existir é apresentado como expressar, mesmo sob véu.
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Coração oculto contrasta com cabeça e corpo visíveis.
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Verbo feito carne é associado à reintegração da existência separada no Ser puro.