A afirmação de que o advaitismo shankariense provém do
budismo mahayanico é improcedente, pois, embora haja um paralelismo entre o imanentismo metateísta de ambos, os pontos de partida são totalmente diferentes: o
hinduísmo parte do reflexo do Si que é o eu, enquanto o
budismo parte do Samsara como mundo de sofrimento, concebendo o vazio de modo negativo.
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As invectivas de
Shankara contra o
Buda devem-se à sua função de “interpretação simbolista autodefensiva”, protegendo o meio vital do Advaïta-Vedânta contra a invasão budista, e não à sua missão de dar conta da validade intrínseca do Budismo, que não concernia o mundo hindu.
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Shankara não fazia “ciência das religiões”.
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No plano da metafísica pura,
Shankara foi uma das autoridades mais eminentes, de envergadura profética e infalível.
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Hônen Shônin, tal como
Shankara, não fundou a perspectiva que personificou, mas foi seu representante mais explícito e incisivo, sendo o sétimo e último patriarca da escola devocional do Budismo, encarnando a Fé e a Invocação, ou a via da facilidade e da Graça.
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O equivalente budista de David ou
Shankara seria Nâgârjuna.
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A via de Hônen coincide com a do “Peregrino russo”, com o japa-yoga hindu e com a prapatti dos vixnuítas.
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A via é tecnicamente fácil, mas a perseverança concreta é difícil, pois exige morrer ao mundo e a si mesmo.
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A ideia fundamental da via de Amitâbha (Amida) coincide com a palavra de Cristo sobre o que é impossível aos homens, mas possível a Deus, sendo a perspectiva do “poder do outro” (tariki) em oposição ao “poder de si mesmo” (jiriki), onde o homem adota uma fé combinada com um suporte divino e sacramental que opera a salvação.
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A alternativa abrupta entre jiriki e tariki é mais teórica que prática; na realidade, há equilíbrio e complementaridade, como no símbolo yin-yang.
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Shinran acentuou exclusivamente o tariki, mas a colaboração pessoal do homem (jiriki) na fé é um critério de realidade concreta e garantia de eficácia.
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A fé semita ou abraâmica é a aceitação fervorosa do invisível todo-poderoso e a submissão à sua Lei, enquanto a fé amidista é a confiança na Vontade salvífica de um
Buda específico, ligada à prática da invocação do seu Nome.
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As três vias (Oração, Discernimento metafísico, Confiança salvífica) podem combinar-se porque a subjetividade humana comporta diferentes setores: a Oração e a Confiança pertencem ao setor da alma sensível, enquanto o Discernimento pertence ao da pura inteligência, o que permite a simultaneidade de abordagens paralelas, como exemplificado pela piedade lírica de
Shankara.