O conhecimento intelectual do Absoluto, para além da face do Deus pessoal, exige como contrapartida necessária o conhecimento de si, estabelecendo uma correlação entre o macrocosmo divino e o microcosmo humano.
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A inscrição no templo de Delfos sobre o autoconhecimento e a sentença evangélica sobre o Reino de Deus interior confirmam essa dimensão introspectiva da via.
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O acesso à Ordem divina é condicionado pela exploração da própria subjetividade profunda.
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A gnose habita o cerne de todas as grandes tradições religiosas de maneira análoga à presença do éter nos elementos sensíveis ou da inteligência nas faculdades mentais.
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A impossibilidade de detectar traços imediatos da gnose em certas formas religiosas não anula sua existência necessária como núcleo essencial.
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Cada religião contém em si a possibilidade desta via intelectual como seu fundamento último.
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A primazia da inteligência na via da gnose não ignora a eficácia prática da moral sentimental para a gestão de grandes coletividades, exigindo que a perspectiva gnóstica integre a virtude intrínseca como esplendor da verdade.
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O realismo da gnose aceita a natureza dos homens como eles são, sem renunciar à exigência de uma inteligência que seja simultaneamente conceitual e existencial.
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A totalidade do sujeito é requerida em face da unicidade do objeto absoluto.
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A gnose apresenta-se como a única solução para os impasses do alternativismo confessional e dos sofismas voluntaristas, conforme demonstra a crítica à negação das causas naturais no pensamento asharita.
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Ibn Roshd rebate as teses de Ghazali ao afirmar que a negação das naturezas específicas e das causas implica necessariamente a negação do intelecto.
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A percepção das causas é a função própria da inteligência, sendo o nome das coisas dependente de suas qualidades inerentes.
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O pensamento metafísico integral concilia a causalidade divina imanente, que é vertical e centrifuga, com a causalidade cósmica, que é horizontal e concêntrica.
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A incompreensão asharita ilustra a falha em perceber que a causalidade natural não exclui a intervenção sobrenatural imanente.
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A relação entre o Sujeito absoluto e a subjetividade da criatura segue o mesmo princípio de coexistência de planos distintos.
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A faculdade mental falível do registro e da elaboração distingue-se radicalmente do coração-intelecto, que projeta na consciência uma visão infalível da realidade.
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A certeza lógica, passível de substituição, contrapõe-se à certeza ontológica que se identifica com a própria essência do ser.
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O conhecimento gnóstico repousa sobre o que o sujeito é, e não apenas sobre o que ele pensa.