O pneumatoteísmo e o ouranoteísmo referem-se, respectivamente, ao Espírito de Deus refletido no centro do cosmos e aos Céus habitados pela Divindade, representando extensões do Princípio na manifestação.
-
O monoteísmo rigoroso acaba por englobar a manifestação divina na ordem principial ao tomar consciência dos traços da Essência.
-
Existe uma confusão teológica frequente que projeta a Essência na Pessoa ou vice-versa, em uma tentativa de conciliar os diferentes planos da Realidade.
-
O panteísmo tradicional, exemplificado pelo xamanismo, situa Deus acima do mundo, mas reconhece Sua penetração consciente na natureza através de anjos e espíritos.
-
Esta perspectiva difere do panteísmo filosófico de Espinoza (Deus sive natura), que identifica a Divindade integralmente com a substância do mundo.
-
Tradições como o Shinto, o Bon-Po tibetano e as religiões indígenas americanas baseiam-se nessa visão de uma presença divina mediada por entidades como os kami ou manitou.
-
A ligação desse panteísmo com a magia decorre da função prática conferida a esses espíritos como suportes de influências divinas no mundo sensível.
-
O limite inferior do teísmo é o panteísmo clássico, onde Deus é reduzido à totalidade do que existe, enquanto no xamanismo a sacralidade dos seres reside na alma subjacente e no arquétipo da espécie.
-
O metafísico reconhece que toda coisa é Atma por integrar-se na Existência e nas qualidades universais, sem que isso implique em um culto exclusivo aos fenômenos visíveis.
-
Os extremos se tocam: a compreensão da Essência divina leva ao reconhecimento da divindade indireta de tudo o que não é o nada, respeitando os fenômenos como assinaturas do Absoluto.
-
O panteísmo fundamenta-se no ponto de vista da imantidade, que é a presença divina tanto na alma quanto no mundo circundante.
-
A transcendência, inversamente, representa a inacessibilidade de Deus tanto acima da manifestação quanto no fundo do coração humano.
-
As variações da imantidade incluem o desvio objetivo (idolatria da natureza) e o desvio subjetivo (autodivinização do monarca, como no caso do Faraó ou dos imperadores romanos).
-
A cada forma de teísmo corresponde uma modalidade de latria ou culto, como a logolatria (culto ao Avatar e ao Intelecto) e a heliolatria (culto ao sol e aos astros, ligada ao panteísmo).
-
O culto aos animais pode ser legítimo quando o animal evoca princípios espirituais e normas arquétipicas intrínsecas à sua espécie.
-
A zoolatria constitui um desvio quando a adoração se fixa na forma física em vez do arquétipo evocado.
-
O animal, embora inferior ao homem por não ser um centro total, encarna valores ou não-valores específicos, podendo servir como veículo de influências espirituais ou mágicas.
-
O simbolismo animal autêntico baseia-se no caráter intrínseco da espécie, e não em associações de ideias convencionais ou detalhes exteriores arbitrários.
-
A ambiguidade do culto aos animais reflete a natureza intermediária do xamanismo operante, situado entre o espiritual e o psíquico.
-
O Islã exemplifica como um mesmo teísmo comporta diferentes latrias: uma fundamentada no amor e na benevolência (Rahmah) e outra fundamentada no temor e no culto ao Poder.
-
A teologia de Ashari e Ghazali prioriza o temor, mas a consciência coletiva compensa essa visão com a confiança e o amor místico.
-
O monoteísmo enfrenta o desafio de atribuir ao Deus Único tanto a Toda-Possibilidade (própria do Sobre-Ser) quanto as contingências acidentais (próprias do Logos cósmico).
-
A atribuição de eventos triviais ou infames à vontade direta do Souverain Bien é uma desproporção teológica decorrente da necessidade de salvaguardar a unidade absoluta e pessoal de Deus.
-
O Deus pessoal afirma as possibilidades arquétipicas, querendo as possibilidades como tais, sem se ocupar diretamente com os acidentes particulares.
-
A Essência suprapessoal quer apenas a Toda-Possibilidade em si, que coincide com Sua tendência ao irradiamento infinito.
-
A queda das criaturas na matéria densa decorre do princípio da expansão universal e é uma possibilidade contida na consciência do Ser, enquanto as múltiplas contingências resultantes dessa queda pertencem ao domínio do Logos.
-
O Logos rege o mundo diretamente e identifica-se com o Demiurgo platônico e com a Trimurti hindu (Brahma, Vishnu e Shiva).
-
A queda representa o afastamento de uma substância paradisíaca e incorruptível em direção a uma realidade inferior.
-
A Divindade permanece absolutamente una e simples em todas as Suas autodeterminações hipostáticas, não cessando de ser Deus mesmo ao manifestar diferentes camadas de conhecimento.
-
Um Deus matematicamente uno sob todos os aspectos, sem polaridades internas, seria incapaz de produzir a existência, criar o mundo ou comunicar-se com os homens.
-
A simplicidade divina coexiste com a complexidade de Seus relacionamentos com a relatividade, dependendo da perspectiva adotada.
-
O espírito hindu utiliza distinções sutis para organizar os diferentes planos da Realidade, o que resulta na aparência de um politeísmo popular que, em essência, mantém o Princípio supremo como único.
-
O ginecoteísmo fundamenta-se na ideia de que a deiformidade humana inclui necessariamente o feminino, sendo a mulher também imagem de Deus e protótipo de mistério e infinitude.
-
O androteísmo das religiões semíticas vê o macho como a totalidade que inclui a fêmea, partindo da precedência bíblica de Adam sobre Eva.
-
O shaktismo hindu concebe a Divindade em seu aspecto de feminilidade, associando-a ao informel e ao Criador como Mãe.
-
O cristianismo atribui à Virgem Maria o culto de hiperdulia, o que representa uma divinização de fato, situando-a como um Avatar feminino no grau supremo.
-
Maria é considerada a Esposa do Espírito Santo e Corredentora, títulos que a vinculam ao prolongamento cósmico da Ordem divina.
-
O Ave Maria e o título de Mãe de Deus inserem-na no culto do Logos e na mediação entre o humano e o divino.
-
As demarcações teístas decorrem tanto de perspectivas doutrinais quanto de sensibilidades religiosas individuais, refletindo um processo onde o homem escolhe seu Deus e Deus escolhe seu homem.