A necessidade da figura de Judas para o drama da Redenção implica que ele, assim como Caifás e Pilatos, não era um homem essencialmente mau, tendo sua cooperação necessária implicado, em última análise, o perdão divino.
-
O arrependimento e desespero de Judas, após a traição, contradizem a imagem de um homem fundamentalmente mau.
-
A ortodoxia de Caifás e a boa vontade de Pilatos são circunstâncias atenuantes que os redimem da imagem de completa maldade.
-
A cooperação necessária dos três para a Redenção sugere que foram perdoados, conclusão que protege o Cristianismo da acusação de depender de causas criminosas.
-
A oração de Cristo na cruz, pedindo o perdão por aqueles que não sabem o que fazem, reforça a tese do perdão aos envolvidos na crucificação, incluindo Judas, Caifás e Pilatos.
-
Embora o perdão divino a Judas, Caifás e Pilatos seja uma conclusão lógica, a Igreja não poderia instituir uma festa em sua memória para não dar a impressão de incentivar o malfeitor, o que explica a dura palavra de Cristo sobre Judas.
-
Razões morais práticas impedem a Igreja de celebrar tais figuras, o que seria dar carta branca aos criminosos.
-
A afirmação de que teria sido melhor Judas não ter nascido não implica sua danação eterna, mas pode significar sua permanência no purgatório até o fim dos tempos.
-
As circunstâncias atenuantes de Caifás incluem sua adesão à ortodoxia mosaica e o fato de Cristo não ter se preocupado em tornar sua mensagem compreensível dentro dessa perspectiva, sendo injusto reprová-lo por não aderir a uma visão que não era a sua.
-
O sofrimento histórico dos judeus como herdeiros de Judas e Caifás tem paralelo no sofrimento dos cristãos como herdeiros de Pilatos, especialmente pelas consequências do mundo humanista e inumano criado a partir da Renascença.
-
A atitude de Cristo em relação aos escribas e fariseus deve ser entendida no contexto providencial de uma fase de ossificação do Judaísmo, semelhante à do Bramanismo à época de
Buda, na qual a decadência do meio religioso era incontestável.
-
A história da humanidade é um jogo divino (lîlâ) no qual as possibilidades devem se manifestar e se esgotar.
-
A crítica de Cristo a um clero corrompido e hipócrita insere-se na tradição profética de Israel.
-
À semelhança de Al-Hallaj no Islã, Cristo manifestou sua natureza celestial sem se preocupar em torná-la intelectualmente acessível, pois encarnava um destino e personificava uma perspectiva espiritual de forma direta e absoluta.
-
A incompreensão da luz pelas trevas, mencionada no Evangelho, aplica-se não apenas aos judeus e pagãos da época, mas também aos próprios cristãos ao longo da história, como demonstrado pela inversão renascentista que colocou o homem no lugar de Deus.
-
Cristo e Moisés colocaram Deus acima do homem, ao passo que a Renascença, invertendo essa ordem, promoveu uma visão humanista que, em última análise, se revelou inumana.