Para uns, o ponto de partida da via é a convicção de que o homem é fundamentalmente corrompido e necessita de um Messias para ser salvo; para outros, é ao contrário a própria natureza do homem — inteligência total, vontade livre, caráter compassivo — desde que posta em valor pela Revelação e pela Intelecção.
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As duas vias podem se combinar, pois as potencialidades profundas e normativas do homem são em toda parte e sempre as mesmas.
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Não há cisão em nossa natureza deiforme.
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A virtude está na natureza do homem porque está na lógica das coisas, sendo o homem feito à imagem de Deus.
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Onde está a virtude, está a graça; os anjos a conferem à virtude como se verte vinho numa taça de cristal ou ouro.
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A deiformidade do homem aparece a priori pela estação vertical do corpo e pelo dom da palavra: a verticalidade obriga à dignidade de pontifex que manifesta; a palavra obriga à verdade e à comunicação do bem.
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No fundo, há apenas uma virtude — o amor de Deus e do próximo —, que se diversifica pela complexidade da alma humana e das situações terrestres.
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As qualidades morais se aperfeiçoam e se embelezam mutuamente: a paciência só é perfeita com o concurso da confiança, que lhe acrescenta doçura; a confiança exige a rigueur da paciência.
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A fervura só é perfeita acompanhada do contentamento, que lhe confere serenidade; o contentamento se funda melhor aliado à fervura.
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A humildade se aprofunda pela aliança com a dignidade e a consciência do Motor imóvel; não há sã dignidade sem humildade.
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A caridade deve se acompanhar da justiça, pois a bondade não pode primar a verdade; a rigidez da justiça é compensada pela doçura da caridade.
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A personalidade de um homem deriva essencialmente de uma ideia ou conjunto de ideias agrupadas em torno de uma ideia central e determinante, das quais derivam comportamentos que as manifestam.
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A mania moderna de buscar a própria personalidade é uma perversão pura e simples — atrelar o carro diante dos bois.
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A primeira condição de uma personalidade legítima é não desejar tê-la; é preciso querer ser o que é, não o que não é.
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As experiências contribuem para dar forma à personalidade, mas não substância, pois esta é função da Verdade e não de acidentes.
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A verdadeira personalidade não pode ser senão um reflexo ou prolongamento da Personalidade principial e celeste, a única que verdadeiramente existe.
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Os dois grandes escolhos da vida terrestre são a exterioridade e a matéria — mais precisamente a exterioridade desproporcional e a matéria corruptível.
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O que se impõe não é rejeitar o exterior admitindo apenas o interior, mas realizar uma relação com o interior que retire à exterioridade sua tirania dispersante e comprimante.
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Perceber em todas as coisas os símbolos e arquétipos — integrar o exterior no interior e fazê-lo suporte de interioridade — é ver Deus em toda parte.
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A beleza, percebida por uma alma espiritualmente interiorizada, é interiorizante; não se deve confundir uma interioridade orgulhosa ou narcísica com a interioridade santa.
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Quanto à matéria, o que se impõe não é negá-la, mas se subtrair à sua tirania sedutora: distinguir nela o que é arquetípico e puro do que é acidental e impuro, e tratá-la com nobreza e sobriedade.
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A razão de ser do homem é a consciência que o divino Si tem de Si mesmo, e que deve se reverberar na contingência em virtude da Infinitude do Princípio divino.
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A relação do homem com o mundo é condicional e relativo; com o Céu, ao contrário, é incondicional e imprescritível.
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A única coisa que conta absolutamente é a consciência do Absoluto; todo o resto está nas mãos de Deus.