Um homem vê um jardim florido, mas sabe que não verá sempre essas flores e arbustos, pois um dia morrerá; e também sabe que esse jardim não estará sempre lá, pois o mundo também desaparecerá. E sabe igualmente que essa relação com o belo jardim é dada pelo destino, pois se o homem estivesse no meio do deserto, não veria o jardim; ele só o vê porque o destino o colocou, a ele, o homem, aqui e não em outro lugar.
Mas na região mais íntima de nossa alma habita o Espírito, e nele o jardim está contido como um germe; e se amamos esse jardim – e como não amá-lo, já que é de uma beleza paradisíaca? – faremos bem em procurá-lo onde ele sempre esteve e onde sempre estará, ou seja, no Espírito; mantenha-se no Espírito, em seu próprio centro, e você terá o jardim e, além disso, todos os jardins possíveis. E da mesma forma: no Espírito não há morte, pois aqui você é imortal; e no Espírito a relação entre o contemplador e o contemplado não é apenas uma possibilidade frágil, mas reside, pelo contrário, na própria natureza do Espírito e é eterna como ele.
O Espírito é consciência e vontade: consciência de si mesmo e vontade para si mesmo. Mantenha-se no Espírito pela consciência e aproxime-se do Espírito pela vontade ou pelo amor, e nem a morte nem o fim do mundo poderão tirar-lhe o jardim nem aniquilar a sua visão. O que você é agora no Espírito, você será após a morte; e o que você possui agora no Espírito, você possuirá após a morte. Diante de Deus, só existe ser e propriedade no Espírito; o que era exterior deve tornar-se interior, e o que era interior será exterior: procure o jardim em si mesmo, em sua indestrutível Substância divina, então ela lhe dará um jardim novo e imperecível.