A diferença entre a fé como crença e a fé como gnose está em que a obscuridade da fé, no crente ordinário, está na inteligência, enquanto no metafísico está na vontade, na participação do ser.
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No sábio, o assento da fé é o coração, não o mental, e a obscuridade vem do estado de individuação, não de uma não-inteligência congênita.
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A fé do sábio tem dois véus: o corpo e o ego, que velam não o intelecto, mas a consciência ontológica.
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O conhecimento teórico mais perfeito não pode abolir a ignorância existencial; em compensação, o conhecimento metafísico é a chave certa para a realização da Verdade, e a intelecção por si só tem o poder de purificar o coração, tornando supérfluas muitas complicações de uma ascese individualista.
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Seria ilógico perguntar como as limitações do individualismo místico se conciliam com a santidade e os sinais mais evidentes da graça divina — êxtases, levitações e outros —, pois o gênio religioso e a heroicidade das virtudes fornecem explicação suficiente.
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A envergadura da inteligência é outra questão: a heroicidade das virtudes e os milagres não bastam para provar o valor universal de uma doutrina — caso contrário o Catolicismo deveria aceitar a teologia palamita por causa de são Serafim de Sarov, ou as doutrinas asiáticas pela santidade incontestável de certos de seus representantes.
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A santidade dos autores é garantia de ortodoxia intrínseca, mas não critério de perfeição intelectual das doutrinas sanjuanista e teresiana.
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Todas as vias espirituais tendem para a União, de modo que é normal que a santidade em si possa comportar estados e estações que ultrapassam a eventual estreiteza de seu ponto de partida.
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Santa Teresa d'Ávila é citada descrevendo a sétima morada: a ausência quase contínua de secura, a isenção de perturbações internas, o calme mais pur, a certeza de que Deus é o autor da graça, o silêncio profundo que recorda a construção do Templo de Salomão, onde nenhum ruído devia ser ouvido.
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Se o objetivo é a União, esta deve poder se anunciar no percurso.