A joia, sendo a origem e o sustento da vida humana, desvia-se para a idolatria devido à condição decaída do homem, exigindo, para sua reintegração na Joia universal, a inversão de seu movimento em direção aos polos do Ser e da Consciência, movimento que pode ser auxiliado pelo símbolo e que culmina na contemplação divina.
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O homem, criado pela Joia, vive dela, mas, em seu estado decaído, tende a fazer do prazer um fim em si mesmo, um ídolo.
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A reintegração da joia humana requer que o prazer seja colocado na simplicidade existencial e na consciência intelectual, buscando o reino interior e não mendigando felicidade aos fenômenos externos.
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A Misericórdia divina oferece o símbolo — manifestação do não-manifestado — como um objeto para a joia humana, que exterioriza a interioridade e canaliza os impulsos centrífugos, estando presente em todas as funções naturais consagradas pela Lei divina.
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O movimento fundamental da joia deve, contudo, dirigir-se à contemplação de Deus na Existência pura e na Inteligência pura, sendo este esforço o que permite integrar as consolações sensíveis na Joia sobrenatural.
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O ser humano deve buscar a felicidade naquilo que ele é essencialmente, acima de si mesmo, encontrando-a assim em seu próprio interior.
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O símbolo revelado atua como uma objetivação da Verdade e da Beleza, permitindo que a joia e o amor humanos se orientem para a Consciência e o Ser, remontando assim à Beatitude divina.
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O símbolo é a objetivação dos polos Consciência (Verdade) e Ser (Beleza/Virtude), manifestando também, por meio disso, o polo Joia.
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Por intermédio do símbolo, a capacidade humana de amor e alegria posiciona-se virtualmente nos polos da Consciência e do Ser.
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Esse posicionamento permite “remontar o curso” da manifestação até a Beatitude, a fonte última da Joia.
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A criação e o propósito humano são descritos como um duplo movimento: um movimento divino que projeta a existência do Ser em direção ao nada, e um movimento humano, consciente e livre, que deve realizar o refluxo do nada de volta ao Ser divino.
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Deus é definido como Ser, Consciência e Beatitude; é a Beatitude que projeta os elementos Ser e Consciência aos confins da manifestação, criando o mundo.
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Esse movimento divino vai do Ser em direção ao nada, originando inúmeras criaturas.
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O homem, incapaz de realizar a criação, tem como função ser um espelho do Criador e realizar o movimento inverso.
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A finalidade da existência humana consiste no refluxo consciente e livre da criatura, partindo de sua condição contingente (“nada”) de volta ao Ser divino.