O culto moderno ao trabalho fundamenta-se na necessidade de subsistência e na conversão de uma coação inevitável em virtude, contrastando com a perspectiva bíblica que o apresenta como punição decorrente do pecado original e da queda.
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A ausência de trabalho em figuras como Ramakrishna e Maharshi ou em mendigos tradicionais exemplifica a primazia da contemplação sobre a atividade econômica.
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A impiedade generalizada e o industrialismo transformaram o labor em um imperativo categórico que marginaliza o sagrado.
A distinção entre o caráter nobre da agricultura ou do artesanato corporal e a escravidão industrial das máquinas permite que o trabalho quantitativo seja subjetivamente santificado pela atitude espiritual do operário.
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O princípio ora et labora possibilita a combinação do esforço braçal com a consciência dos fins últimos e a recordação de Deus.
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A satisfação com a própria condição define a liberdade real de forma mais eficaz do que a ausência utópica de restrições externas.
As grandes metodologias espirituais e as ordens terceiras demonstram que a vida exterior não exclui a busca interior, podendo o trabalho cotidiano atuar como um veículo positivo para a realização do Divino.
A espiritualização do trabalho depende inicialmente da condição de necessidade, o que exclui o capricho ou ocupações repreensíveis em favor de atividades dotadas de universalidade e caráter simbólico.
A santificação do labor exige que a atividade seja oferecida a Deus sem revolta contra o destino, transformando o exercício profissional em um sacramento natural e ritualizado.
A perfeição lógica do ato é indispensável para a sua oferta ao Divino, visto que toda ação humana deve refletir a perfeição do Ato Divino e de suas modalidades.
O cumprimento das condições de lógica interna e externa da atividade converte o trabalho em auxílio para a via interior, ao passo que o trabalho mal executado torna-se um entrave por não corresponder a nenhuma Possibilidade divina.