Le langage secret du blason
O brasão é antes de tudo uma linguagem simbólica e sagrada desvelando realidades secretas. Palavra hoje em dia perdida para muitos, e que Sorval tenta restituir em sua vida original e sempre presente.
A heráldica não é somente uma ciência histórica reservada aos eruditos, e frequentemente confinada às investigações arqueológicas anexas da genealogia; da mesma maneira esta obra se dirige não somente aos especialistas mas ao homem honesto de hoje em dia preocupado em compreender o sentido dos armoriais transmitidos até nossos dias pela Idade Média.
Em sua linguagem, sua construção, suas cores, o brasão ensina um caminho iniciático estreitamente aparentado aos mitos da Demanda do Graal e da Grande Obra alquímica. Emblemas misteriosos da cavalaria medieval, escudos de armas revelam em seus arcanos ideais, códigos de honra e uma via de realização interior enraizados na espiritualidade cristã, onde a Cruz do Salvador transfigura o sacrifício guerreiro.
É interessante notar, no que diz respeito mais especificamente ao simbolismo heráldico, que os seis raios constituem uma espécie de esquema geral segundo o qual foram dispostas no brasão as figuras mais diversas. Observe-se, por exemplo, uma águia ou qualquer outra ave heráldica, e não será difícil perceber que essa disposição se encontra efetivamente, correspondendo, respectivamente, a cabeça, a cauda e as extremidades das asas e das patas às pontas dos seis raios; observe-se então um emblema como a flor-de-lis, e far-se-á a mesma constatação. Pouco importa, aliás, neste último caso, a origem histórica do emblema, que deu origem a muitas hipóteses diversas: seja a flor-de-lis realmente uma flor, o que estaria de acordo, além disso, com a equivalência da roda e de certos símbolos florais como o lótus, a rosa e o lírio (que, aliás, tem na realidade seis pétalas); ou tenha sido primitivamente uma ponta de lança, ou um pássaro, ou uma abelha, o antigo símbolo caldeu da realeza (hieróglifo sâr), ou mesmo um sapo; ou, como é mais provável, resulte de uma espécie de “convergência” ou fusão de várias dessas figuras, que não deixa subsistir senão as características comuns a elas, em todo caso a flor-de-lis está em estrita conformidade com o esquema a que nos referíamos, e isso é o que essencialmente importa para determinar seu significado principal.